Diplopia não paralítica (Nonparetic Diplopia) é uma diplopia binocular que não é causada por disfunção de qualquer músculo ocular. O movimento ocular em si é normal, e a essência é um distúrbio do processo normal de fusão.
Também é conhecido como visão dupla do tipo rivalidade central-periférica (central-peripheral rivalry: CPR), visão dupla macular, síndrome de deslocamento foveal, entre outros.
O reconhecimento adequado desta doença tem importância clínica significativa. Confundir visão dupla não paralítica com visão dupla paralítica pode levar a cirurgias de estrabismo desnecessárias e prejudiciais.
As principais causas da visão dupla não paralítica são classificadas nos seguintes 5 tipos.
Fenômeno de deslizamento do hemicampo
Conceito: Restrição do campo visual temporal (como na compressão do quiasma óptico) que desencadeia um estrabismo latente, resultando em um deslocamento horizontal de metade do campo visual.
Causa: A compressão do quiasma óptico por adenoma hipofisário é um exemplo típico.
Síndrome de diplopia por tração foveal (DFDS)
Conceito: causado pelo deslocamento da fóvea devido a membrana epirretiniana ou membrana neovascular sub-retiniana. Caracteriza-se por diplopia persistente na visão central. 1)
Insuficiência de divergência: diplopia horizontal para longe. Aumenta com a distância.
Aniseiconia e medo de fusão
Aniseiconia: diferença no tamanho das imagens entre os olhos devido à compressão ou estiramento dos fotorreceptores causado por membrana epirretiniana.
Medo de fusão: apesar da posição ocular normal, o paciente percebe diplopia em todas as direções do olhar, causando desconforto significativo.
Com o envelhecimento, a importância da diplopia causada por doenças da retina aumenta. A prevalência de membrana epirretiniana em pessoas com menos de 60 anos é de cerca de 2%, mas atinge até 12% em pessoas com 70 anos ou mais. 2) Em pacientes com doenças maculares, como membrana epirretiniana, a melhora espontânea da diplopia é rara, e a diplopia geralmente ocorre alguns dias a semanas após o início da doença macular.
QQual é a diferença entre diplopia não paralítica e diplopia paralítica?
A
A diplopia paralítica é causada por disfunção dos músculos oculares (como paralisia nervosa ou lesões restritivas) e é acompanhada por limitação dos movimentos oculares. A diplopia não paralítica ocorre apesar da função muscular ocular normal, sendo essencialmente um distúrbio do processo de fusão. A diferenciação é importante por meio de achados do teste de oclusão, exame de movimentos oculares e investigação de doenças de base.
Diplopia (visão dupla): As imagens aparecem duplicadas com ambos os olhos abertos. Desaparece ao ocluir um olho (exceto na fobia de fusão).
Desalinhamento do campo visual: Sensação de que o campo visual se separa horizontalmente ou se sobrepõe. Característico do fenômeno de deslizamento do campo visual.
Diplopia persistente na visão central: na DFDS, o paciente percebe visão dupla na visão central, enquanto a visão periférica permanece normal.
Teste de cobertura: exame básico para diferenciar estrabismo concomitante de não concomitante. Na DFDS, pode mostrar desvio vertical reto ou de pequeno ângulo. 3)
Grade de Amsler: útil para detectar metamorfopsia. Pode ser quantificada com M-Charts.
Verificação do ponto próximo de convergência: na insuficiência de convergência, o ponto próximo de convergência está recuado. Também se observa aumento da exoforia para perto.
Verificação da função de abdução: na insuficiência de divergência, há esoforia equivalente (concomitante) em todas as direções para longe, mas a abdução permanece normal. Este é um importante ponto de diferenciação da paralisia do nervo abducente.
Teste de Awaya: utilizado para avaliação quantitativa da aniseiconia.
Fenômeno de deslizamento de hemicampo: ocorre pela combinação de restrição do campo temporal (compressão do quiasma óptico por adenoma hipofisário, etc.) e manifestação de estrabismo latente preexistente. A perda da correspondência binocular na faixa vertical mediana dificulta a manutenção da justaposição do hemicampo.
Síndrome de diplopia por tração foveal (DFDS): a membrana epirretiniana ou membrana neovascular sub-retiniana desloca fisicamente a fóvea, causando incongruência entre a fusão central e periférica (conflito centro-periferia). 1) A membrana epirretiniana tem prevalência de cerca de 2% em menores de 60 anos e até 12% em maiores de 70 anos. 2)
Insuficiência de divergência: o mecanismo neurológico é pouco compreendido. Lesões na substância cinzenta periaquedutal ou próximas ao núcleo do nervo abducente podem estar envolvidas. É mais comum em idosos, podendo ser benigna e resolver espontaneamente. É necessário cuidado com a semelhança com paralisia bilateral do nervo abducente, lesões ocupantes de espaço e doenças desmielinizantes.
Aniseiconia: devido à compressão (micropsia) ou estiramento (macropsia) dos fotorreceptores por uma membrana epirretiniana, há diferença no tamanho das imagens entre os dois olhos, dificultando a fusão.
Fobia de fusão: condição em que a fusão não é possível apesar da posição ocular normal. Pode ser desencadeada por privação sensorial prolongada, traumatismo craniano grave, síndrome pós-viral, entre outros, mas é um diagnóstico de exclusão.
QSe tenho uma membrana epirretiniana, sempre terei visão dupla?
Exclusão de paralisia de nervos cranianos e lesões ocupantes de espaço
Teste de cobertura: exame básico para diferenciar desvios concomitantes (estrabismo infantil, insuficiência de convergência, insuficiência de divergência, etc.) de desvios incomitantes (paralisia de nervos cranianos, doenças restritivas, etc.). Se a posição ocular estiver normal e houver anisometropia, sugere doença macular ou diferença refrativa significativa.
Teste de luz ligada/desligada: considerado patognomônico para confirmar DFDS. 1) Em sala escura, fixar um alvo pequeno com letras pretas em fundo branco, removendo pistas de fusão periférica. Se a fusão central for possível, o teste é positivo. É importante que a sala esteja completamente escura.
Teste de optotipo com moldura: método alternativo ao teste de luz ligada/desligada. Avalia separadamente o optotipo isolado e a moldura no monitor para verificar a competição central-periférica. 3)
RM (Ressonância Magnética): utilizada para excluir paralisia de nervos cranianos, lesões ocupantes de espaço (como adenoma hipofisário) e doenças desmielinizantes. Na insuficiência de divergência, a RM deve ser realizada para excluir doenças que causam hipertensão intracraniana e lesões da base do crânio.
Grade de Amsler e M-Charts: detecção e avaliação quantitativa da metamorfopsia.
Sinoptóforo (amblioscópio de grande porte): utilizado para quantificação mais precisa do déficit de fusão.
Gráfico de Hess, teste de campo de fixação, campo visual binocular único (campo BSV): utilizados para registrar movimentos oculares e a extensão da diplopia, auxiliando no diagnóstico diferencial.
QO que é o teste de luz ligada/desligada?
A
Este exame é realizado em uma sala escura, onde o paciente fixa um alvo pequeno com letras pretas em fundo branco, removendo as pistas de fusão periférica. 1) Em uma sala iluminada normal, a fusão periférica supera a fusão central, causando diplopia, mas em uma sala escura, ao remover as pistas de fusão periférica, a fusão central funciona e a diplopia é resolvida. Isso é considerado um achado patognomônico da DFDS.
Como a resolução fundamental da patologia da DFDS é difícil, o tratamento visa o alívio dos sintomas.
Observação: Em casos leves, intermitentes ou quando o paciente não deseja tratamento, opta-se pela observação.
Embaçamento (visão turva em um olho): Cria-se um escotoma central intencional em um olho para eliminar a competição foveal. Fita Scotch Satin1) e filtro Bangerter5) apresentam tolerância relativamente boa.
Filtro Bangerter combinado com prisma de Fresnel: Pode ser eficaz em casos com resposta insuficiente à monoterapia. 6)
Correção prismática: O efeito é frequentemente transitório, mas raramente pode ser eficaz em alguns pacientes. 4)
Lentes de contato oclusivas: podem ser eficazes em alguns casos.
Remoção da membrana epirretiniana (vitrectomia): pode proporcionar bons resultados em alguns pacientes. No entanto, pode surgir nova diplopia após a cirurgia. 7)
Tratamento do fenômeno de deslizamento hemianóptico
Atualmente, não há opções de tratamento eficazes para a fobia de fusão. A fobia de fusão é uma condição em que a fusão não é possível apesar da posição ocular normal, sendo um diagnóstico de exclusão. Privação sensorial prolongada, traumatismo craniano grave e síndrome pós-infecção viral foram relatados como fatores desencadeantes.
6. Fisiopatologia e mecanismos detalhados de desenvolvimento
Quando a correspondência binocular da faixa vertical mediana é perdida devido à restrição do campo visual temporal (como compressão do quiasma óptico), a foria latente existente torna-se manifesta. Na esoforia, os hemisférios se separam horizontalmente; na exoforia, eles se sobrepõem; na hiperforia, eles se separam verticalmente.
Quando a membrana epirretiniana ou a membrana neovascular sub-retiniana desloca fisicamente a fóvea, ocorre uma incompatibilidade entre a fusão central e a fusão periférica (conflito centro-periferia). 1) Como a força motriz da fusão periférica supera a fusão central, a periferia se funde, mas a fóvea permanece deslocada, causando diplopia central persistente.
Existem dois mecanismos propostos para a DFDS.
Mecanismo pelo qual a metamorfopsia, micropsia e macropsia tornam as imagens foveais dos dois olhos tão incongruentes que não podem ser fundidas.
Mecanismo pelo qual a tração foveal causada pela membrana epirretiniana gera competição entre o alinhamento central e periférico.
O descolamento parcial do córtex vítreo causa tração na mácula, resultando em espessamento retiniano, distorção, alterações cistoides e deslocamento macular. A membrana epirretiniana fibrosa branca é mais propensa a causar sintomas do que o tipo fino e transparente. A avaliação da presença e do grau de tração foveal por OCT é importante para o diagnóstico.
Mecanismo da insuficiência de convergência e divergência
Insuficiência de convergência: Lesões no córtex cerebral, mesencéfalo rostral, colículo superior e cerebelo causam danos supranucleares às vias de acomodação, levando à paralisia da acomodação e, secundariamente, à insuficiência de convergência. Também pode ocorrer em lesões dorsais do mesencéfalo.
Insuficiência de divergência: O mecanismo neural da divergência não é totalmente compreendido. Foram relatadas associações com lesões na substância cinzenta periaquedutal, próximo ao núcleo do nervo abducente e no bulbo, mas muitos casos são de causa desconhecida.
Aniseiconia: A contração dos fotorreceptores pela membrana epirretiniana causa micropsia, e o estiramento causa macropsia, dificultando a fusão devido à diferença no tamanho das imagens entre os dois olhos.
Fobia de fusão: A interrupção adquirida da fusão central impede tanto a fusão quanto a supressão das imagens. Apesar da posição ocular normal, o paciente percebe diplopia em todas as direções do olhar.
7. Pesquisas recentes e perspectivas futuras (relatos em fase de pesquisa)
Hatt et al. (2019) relataram o aparecimento e desaparecimento de diplopia de competição central-periférica em pacientes submetidos à remoção de membrana epirretiniana. 7) Embora alguns casos tenham apresentado melhora da diplopia após a cirurgia, também foram observados casos de novo desenvolvimento de diplopia. Ao realizar a remoção de membrana epirretiniana, é necessário obter consentimento informado adequado do paciente sobre o resultado da diplopia.
Hatt et al. (2019) avaliaram a correção prismática e a terapia de embaçamento para DFDS. 4) A correção prismática isolada é frequentemente de efeito transitório, mas o embaçamento pode ser eficaz em alguns casos. A terapia combinada com filtro de Bangerter e prisma de Fresnel também foi relatada como potencialmente eficaz em casos onde a monoterapia é insuficiente. 6)
De Pool ME, Campbell JP, Broome SO, Guyton DL. The dragged-fovea diplopia syndrome: Clinical characteristics, diagnosis, and treatment. Ophthalmology. 2005;112:1455-1462.
Veverka KK, Hatt SR, Leske DA, et al. Prevalence and associations of central-peripheral rivalry-type diplopia in patients with epiretinal membrane. JAMA Ophthalmol. 2017;135:1303-1309.
Veverka KK, Hatt SR, Leske DA, et al. Causes of diplopia in patients with epiretinal membranes. Am J Ophthalmol. 2017;179:39-45.
Hatt SR, Leske DA, Klaehn LD, et al. Treatment for central-peripheral rivalry-type diplopia (“dragged-fovea diplopia syndrome”). Am J Ophthalmol. 2019;208:41-46.
Silverberg M, Schuler E, Veronneau-Troutman S, et al. Nonsurgical management of binocular diplopia induced by macular pathology. Arch Ophthalmol. 1999;117:900-903.
Iacobucci IL, Furr BA, Archer SM. Management of binocular diplopia due to maculopathy with combined bangerter filter and fresnel prism. Am Orthopt J. 2009;59:93-97.
Hatt SR, Leske DA, Iezzi R Jr, Holmes JM. New onset vs resolution of central-peripheral rivalry-type diplopia in patients undergoing epiretinal membrane peeling. JAMA Ophthalmol. 2019;137:293-297.
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