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Exame de Tomografia de Coerência Óptica (OCT)

1. O que é a Tomografia de Coerência Óptica (OCT)?

Seção intitulada “1. O que é a Tomografia de Coerência Óptica (OCT)?”

A Tomografia de Coerência Óptica (OCT) é um dispositivo de diagnóstico por imagem que utiliza o fenômeno de interferência da luz infravermelha próxima para obter imagens de cortes transversais não invasivas do fundo e do segmento anterior do olho. Sua resolução é de aproximadamente 2 a 5 μm, cerca de 100 vezes maior que a do ultrassom ocular. Permite avaliar a microestrutura da retina e do nervo óptico com alta resolução, auxiliando na detecção precoce e monitoramento de várias doenças oculares.

Após ser introduzida por Huang et al. em 1991, a OCT se difundiu rapidamente na oftalmologia. Atualmente, é considerada um exame padrão em áreas como doenças da retina, glaucoma, doenças do segmento anterior e neuroftalmologia. Os pontos de seguro são definidos como 187 pontos para análise de imagem tridimensional do fundo.

Existem três gerações principais de OCT. As características de cada uma são mostradas abaixo.

TD-OCT (1ª geração)

Comprimento de onda: 810 nm

Velocidade: 400 A-scans/segundo

Resolução axial: aproximadamente 10 μm

Primeira geração que utiliza um espelho de referência móvel para alterar o comprimento do caminho óptico e obter imagens de corte transversal. Atualmente, foi amplamente substituída pela SD-OCT.

SD-OCT (2ª geração)

Comprimento de onda: 840 nm

Velocidade: 40.000 a 100.000 A-scans/segundo

Resolução axial: 3 a 7 μm

Segunda geração que utiliza um espectrômetro e transformada de Fourier para obter informações de profundidade de uma só vez. É o padrão clínico atual. Adequada para avaliação precisa da mácula e do disco óptico. Dispositivos representativos: Cirrus (Carl Zeiss), Spectralis (Heidelberg), RS-3000 (Nidek), 3D-OCT (Topcon).

SS-OCT (3ª geração)

Comprimento de onda: 1050 nm

Velocidade: 100.000–400.000 varreduras A/segundo

Resolução axial: aproximadamente 5 μm

Terceira geração que utiliza laser de varredura de comprimento de onda e detector de equilíbrio duplo. Destaca-se na visualização de estruturas profundas como a coroide devido ao comprimento de onda longo, e não necessita de EDI-OCT.

  • EDI-OCT (OCT com Ênfase em Profundidade): Modo de imagem que ajusta a linha de atraso zero para o lado da coroide para visualizá-la em detalhes. Pode ser usado com SD-OCT.
  • OCTA (Angiografia por OCT): Técnica que detecta mudanças de brilho (sinais de decorrelação) entre múltiplas varreduras B para imagear vasos sanguíneos de forma não invasiva. Dispensa contraste e é amplamente usada como alternativa à angiografia fluoresceínica (FA). O campo de imagem pode ser selecionado de 3 mm × 3 mm a 12 mm × 12 mm.
  • Padronização da Nomenclatura: A antiga “camada IS-OS” foi renomeada para Zona Elipsoide (EZ), e a junção entre o segmento externo e o EPR foi renomeada para Zona de Interdigitação (IZ) conforme a nomenclatura IN-OCT.
Q O exame de OCT dói?
A

O OCT é um exame não invasivo e sem contato, totalmente indolor. Pode ser necessário usar colírio para dilatar a pupila, mas apenas incide luz sem tocar a córnea ou a retina. O exame geralmente leva alguns minutos.

Modo de ImagemCaracterísticas e Usos
Varredura CruzadaVarredura básica através da fóvea. Realizada primeiro
5 linhasFatias finas para verificar estruturas finas (por exemplo, confirmação de buraco macular)
Varredura radialConfirmação de pólipos em PCV, avaliação de lesões extrafoveais
Mapa macularMapa de espessura retiniana. Avaliação da eficácia do tratamento para edema macular diabético e RVO
Análise de glaucoma (cpRNFL/GCA)Espessura da RNFL e GCL+IPL. Diagnóstico de glaucoma e avaliação de progressão

As áreas de observação são divididas em OCT de segmento posterior (mácula, região peripapilar, periferia) e OCT de segmento anterior (AS-OCT; córnea, câmara anterior, ângulo).

Os procedimentos básicos de imagem são os seguintes:

  1. Fixar o olho no ponto de fixação e alinhar em direção à pupila anterior
  2. Iniciar com uma varredura cruzada através da fóvea
  3. Adicionar o modo de varredura adequado à doença
  4. Em casos de fixação deficiente, usar um ponto de fixação externo ou solicitar que outra pessoa auxilie na fixação
  5. A dilatação não é necessária basicamente, mas em casos de catarata moderada a grave ou pupila pequena, é realizada sob dilatação.

Na varredura da fóvea, é importante obter um corte onde a depressão foveal não seja visível e as camadas internas da retina não sejam reconhecidas. Nas doenças maculares, o centro pode se deslocar devido à má fixação, e compreender a estrutura normal da retina contribui para melhorar as habilidades de exame e diagnóstico.

3. Indicações e Achados em Doenças da Retina e Mácula

Seção intitulada “3. Indicações e Achados em Doenças da Retina e Mácula”
Imagem de corte SD-OCT da mácula de um indivíduo saudável de 24 anos. Mostra 13 camadas normais da retina, da MLI ao EPR e coroide.
Imagem de corte SD-OCT da mácula de um indivíduo saudável de 24 anos. Mostra 13 camadas normais da retina, da MLI ao EPR e coroide.
Wies6014. Spectral Domain OCT - Macula Cross-Sections. Wikimedia Commons, 2013. Figure 1. Source ID: commons:File:Spectral_Domain_OCT_-_Macula_Cross-Sections.png. License: CC BY-SA 4.0.
Imagem de corte (corte transversal) da mácula saudável de um homem de 24 anos obtida por SD-OCT, visualizando a depressão foveal e a estrutura normal de 13 camadas da retina, da membrana limitante interna (MLI) ao EPR e coroide. Corresponde à estrutura normal das camadas da retina discutida na seção “Indicações e Achados em Doenças da Retina e Mácula”.

A estrutura normal das camadas na varredura da fóvea (de dentro para fora) é composta pelas seguintes 13 camadas:

Vítreo → Membrana limitante interna (MLI) → Camada de fibras nervosas (CFN) → Camada de células ganglionares (CCG) → Camada plexiforme interna (CPI) → Camada nuclear interna (CNI) → Camada plexiforme externa (CPE) → Camada nuclear externa (CNE) → Membrana limitante externa (MLE) → Zona elipsoide (ZE) → Zona de interdigitação (ZI) → Epitélio pigmentar da retina (EPR) → Coroide

Como as características de refletividade de cada camada refletem a condição patológica, a identificação precisa das camadas é a base da interpretação.

Imagem de OCT de edema macular diabético (EMD) no olho esquerdo de um paciente de 61 anos com diabetes tipo 2. Mostra espessamento retiniano e alterações císticas.
Imagem de OCT de edema macular diabético (EMD) no olho esquerdo de um paciente de 61 anos com diabetes tipo 2. Mostra espessamento retiniano e alterações císticas.
Jmarchn. Macular edema LE Man 61years Diabetic. Wikimedia Commons, 2015. Figure 1. Source ID: commons:File:Macular_edema_LE_Man_61years_Diabetic.jpg. License: CC BY-SA 3.0.
Imagem de OCT de edema macular diabético (EMD) no olho esquerdo de um paciente de 61 anos com diabetes tipo 2, mostrando espessamento retiniano na mácula e formação de cavidades císticas. Corresponde aos achados de OCT representativos do edema macular diabético discutidos na seção “Indicações e Achados em Doenças da Retina e Mácula”.
DoençaAchados de OCT Representativos
Buraco macularDefeito de espessura total da retina ± VMT
Membrana epirretiniana (ERM)Camada hiperrefletiva sobre a membrana limitante interna
Tração vitreomacular (VMT)Descolamento parcial do vítreo posterior com tração macular
Edema macular diabéticoEspessamento retiniano, edema cistóide, DRIL, líquido subretiniano
Oclusão da veia retiniana (RVO)Edema macular cistóide, líquido subretiniano
Degeneração macular relacionada à idade (AMD)Neovascularização coroidal (tipo 1/2/3), descolamento do epitélio pigmentar
Corioretinopatia serosa central (CSC)Descolamento neurosensorial da retina, espessamento coroidal na EDI-OCT
Ruptura do EPRDesaparecimento abrupto do EPR e das camadas externas

O buraco macular é visualizado como um defeito de espessura total da retina. A SD-OCT é o exame mais sensível e específico para o diagnóstico do buraco macular1).

Membrana epirretiniana (ERM) é reconhecida como uma camada hiperrefletiva sobre a membrana limitante interna2). Quanto à acuidade visual pós-operatória, relata-se que 80% dos casos obtêm melhora de duas ou mais linhas após vitrectomia2).

No edema macular diabético, a medição quantitativa da espessura retiniana por OCT tornou-se um indicador para iniciar a terapia anti-VEGF e decisão de retratamento3). DRIL (Desorganização das Camadas Retinianas Internas) é importante como marcador de mau prognóstico visual.

Na RVO, o OCT permite a avaliação quantitativa do edema macular e a detecção de alterações na interface vitreorretiniana4).

Na AMD, o descolamento do EPR é classificado em seroso, fibrovascular e drusenoide, e a CNVM pode ser classificada em tipo 1 (sub-EPR), tipo 2 (supra-EPR) e tipo 3 (neovascularização intraretiniana)5).

Devido às Condições de Aquisição

Artefato de espelho (Mirror artifact): Devido a erro na configuração da faixa de varredura, a imagem real aparece invertida e sobreposta.

Vinheta (Vignetting): Atenuação do sinal na periferia, dependente do ângulo de incidência da luz.

Erro fora do alcance (Out-of-range error): Estruturas fora da faixa de profundidade definida aparecem dobradas.

Fatores do Paciente

Artefato de piscada (Blink artifact): Ocorre um defeito horizontal devido ao piscar durante a varredura.

Movimento ocular: A fixação deficiente causa deslocamento ou distorção da imagem.

Desalinhamento (Misalignment): Devido à variação da posição da cabeça durante a varredura.

Fatores de Software

Erro de segmentação (Segmentation error): O algoritmo de segmentação automática reconhece incorretamente as camadas retinianas. Ocorre frequentemente em áreas de lesão, catarata intensa ou miopia alta.

Isso é tratado por correção manual ou reexame. Se o índice de intensidade do sinal (SS) for inferior a 6, considere repetir o exame.

Q Existem doenças que não podem ser encontradas pela OCT?
A

A OCT tem excelente precisão diagnóstica especialmente para doenças da mácula e do polo posterior, mas não é adequada para detectar lesões retinianas periféricas (como degeneração em treliça da retina, rasgos retinianos, etc.). Além disso, se houver catarata ou opacidade vítrea intensa, a qualidade da imagem diminui e a confiabilidade diagnóstica é reduzida. Para lesões periféricas, são utilizadas a fotografia de fundo de olho de amplo ângulo e a oftalmoscopia indireta.

A SD-OCT é uma técnica de imagem diagnóstica não contato e não invasiva para avaliar objetivamente o dano estrutural do glaucoma, e tem sido reconhecida como de alta utilidade no diagnóstico do glaucoma 6). É particularmente útil no diagnóstico do glaucoma pré-perimétrico, pois pode detectar alterações estruturais antes do aparecimento de defeitos de campo visual 6)7).

Espessura da RNFL

Princípio de Medição: Quantificar a espessura entre a membrana limitante interna (ILM) e o limite da RNFL

Mapa TSNIT: Exibe a espessura da RNFL em um círculo de 3,4 mm ao redor do centro do nervo óptico na ordem: T (temporal) → S (superior) → N (nasal) → I (inferior) → T (temporal)

Padrão Normal: Mostra picos bimodais nas direções superior e inferior (refletindo a distribuição anatômica dos feixes de fibras arqueadas) 6)

Capacidade de Detecção de Glaucoma: Sensibilidade de 83% e especificidade de 88% para a espessura média da RNFL (no nível de 5%). No nível de 1%, especificidade de 100% e sensibilidade de 65%

Parâmetros da ONH

Análise do Disco Óptico: Delineamento automático do disco óptico, escavação e borda do disco

Referência da Membrana de Bruch: Define a borda do disco no ponto final da membrana de Bruch e calcula a distância mais curta até a ILM

Indicadores de Alta Capacidade Diagnóstica: Espessura do anel vertical, área do anel e relação C/D vertical possuem a maior capacidade diagnóstica 7)

BMO-MRW: Avaliação da largura do anel com base na abertura da membrana de Bruch com excelente reprodutibilidade 6)

Análise de Células Ganglionares (GCA)

Objeto de medição: Espessura do complexo da camada de células ganglionares (GCL) e camada plexiforme interna (IPL) ao redor da mácula

Nomenclatura por dispositivo: Cirrus denomina GCIPL (GCL+IPL), Optovue denomina GCC (RNFL+GCL+IPL)

Parâmetros úteis: Valor mínimo, setor inferotemporal e valor médio são os mais úteis diagnosticamente 6)7)

Relação com efeito de piso: Parâmetros maculares apresentam efeito de piso mais tardio que a espessura da RNFL, sendo úteis na avaliação de estágios avançados 6)

A comparação com o banco de dados de olhos normais é útil, mas é necessário atentar para falsos positivos e falsos negativos devido aos seguintes fatores.

  • Miopia alta: O desvio temporal do feixe de RNFL pode fazer com que seja considerado “afinado” mesmo em olhos normais. Quanto maior o comprimento axial, mais fina a RNFL tende a ser medida 6)
  • Opacidade de meios: A catarata subestima a espessura da RNFL. Há relatos de aumento de 4,8 a 9,3% na medição da RNFL após cirurgia de catarata
  • Erro de segmentação: Ocorre frequentemente em casos de disco óptico inclinado, estafiloma escleral, atrofia peripapilar e membrana epirretiniana
  • Movimento ocular e piscadas: Pode ser melhorado com a função de rastreamento ocular

Análise de Progressão (GPA: Guided Progression Analysis)

Seção intitulada “Análise de Progressão (GPA: Guided Progression Analysis)”

Existem duas abordagens para determinar a progressão do glaucoma: análise de eventos e análise de tendência.

  • Análise de eventos: A progressão é considerada quando as medidas de acompanhamento ultrapassam um limiar em relação à linha de base.
  • Análise de tendência: A taxa de mudança anual (μm/ano) é calculada por análise de regressão para determinar a progressão.

O GPA do Cirrus integra ambas as abordagens7). O limite de variação permitido para a espessura média da RNFL entre consultas é de 3,89 μm, e uma redução reproduzível de 4 μm ou mais sugere uma mudança estatisticamente significativa.

No glaucoma avançado, a espessura da RNFL se estabiliza e raramente cai abaixo de 50 μm devido à persistência de tecido não neural, como glia e vasos sanguíneos6)7). Esse “efeito de piso” reduz a utilidade clínica da SD-OCT em estágios finais, tornando a avaliação da progressão por exame de campo visual o principal método. Os parâmetros maculares (GCIPL) sofrem efeito de piso mais tardiamente que a espessura da RNFL, mantendo alguma utilidade em estágios avançados6).

Q Como avaliar a SD-OCT em olhos com alta miopia?
A

Em olhos com alta miopia, a comparação com o banco de dados normal é limitada. O feixe de RNFL se desloca temporalmente, podendo ser interpretado como “afinamento” mesmo em olhos normais. Nesses casos, a comparação serial com a linha de base do próprio paciente é eficaz. A avaliação do afinamento progressivo é feita por uma série de exames de SD-OCT. Note que a espessura da RNFL também diminui naturalmente com a idade em cerca de 0,52 μm por ano, portanto essa diminuição natural deve ser considerada.

A OCT está se expandindo rapidamente na neuroftalmologia9). A espessura da RNFL peripapilar (cpRNFL) e a GCIPL macular (camada de células ganglionares + camada plexiforme interna) são os principais parâmetros, podendo detectar alterações antes do aparecimento de sinais clínicos evidentes ou disfunção visual9).

DoençaAchados na fase agudaAchados na fase crônica
Neurite ópticaEspessamento da RNFL (edema axonal) ou normalAfinamento da RNFL e GCIPL (6 meses após o início)
Esclerose múltipla (EM)Redução da cpRNFL mesmo assintomáticaAumento da taxa de atrofia de RNFL e GCIPL na forma progressiva
NMOSDEdema de papilaAfinamento grave da RNFL (<30 μm), edema macular microcístico (40% em AQP4 positivo) 9)
Neuropatia óptica compressiva (ex.: adenoma hipofisário)Afinamento duplo nasal da GCIPLAtrofia da RNFL em gravata borboleta (correspondente à hemianopsia bitemporal)
NAIONAvaliação da RNFL difícil devido ao edema de papila, afinamento da GCIPL precedeAfinamento horizontal inferonasal
Drusas do disco óptico (ODD)EDI-OCT é o padrão-ouro para detecçãoVolume grande de ODD → correlacionado com afinamento da RNFL e defeitos de campo visual
Papiledema (disco congesto)Aumento da cpRNFLAfinação da GCIPL >10μm → má função visual após 1 ano 9)

Neurite óptica e Esclerose Múltipla (EM): A afinamento da RNFL e da GCIPL são biomarcadores estabelecidos 9). Mesmo em pacientes com EM sem sintomas oculares, observa-se redução da cpRNFL, e estudos post-mortem confirmam lesões de desmielinização do nervo óptico em 99% dos pacientes com EM. A espessura da cpRNFL correlaciona-se com a melhor acuidade visual corrigida, sensibilidade ao contraste, visão de cores e atrofia cerebral.

NMOSD: Caracteriza-se por atrofia óptica grave, com frequência de edema macular microcístico significativamente maior que na EM (5%), chegando a cerca de 40% nos casos AQP4-positivos 9). Na neurite óptica associada a MOG-IgG, a GCIPL é relativamente preservada, enquanto na associada a AQP4-IgG, há perda acentuada 9).

Drusas do disco óptico (ODD): A EDI-OCT é o padrão-ouro para detecção de ODD 9). As ODD aparecem como estruturas hiporrefletivas acima da lâmina cribrosa com bordas hiperrefletivas, e têm capacidade de detecção superior à ultrassonografia modo B, autofluorescência e TC para drusas enterradas. PHOMS (estruturas ovais hiperrefletivas peripapilares) devem ser distinguidas como fenômeno separado das ODD 9).

Neuropatia óptica compressiva: A espessura normal da RNFL pré-operatória (≥70μm) é um preditor significativo de melhora da acuidade visual e do campo visual pós-operatório 9), e a avaliação por OCT pré-operatória é utilizada para predição prognóstica.

Como os algoritmos de segmentação e os bancos de dados normais diferem entre os equipamentos, a comparação numérica entre diferentes equipamentos não é possível. Para avaliação longitudinal, recomenda-se o uso do mesmo equipamento 9).

A OCT baseia-se no princípio do interferômetro de Michelson. A luz infravermelha próxima (comprimento de onda 840-1050 nm) é dividida em um feixe de medição e um feixe de referência, que são direcionados respectivamente à amostra (fundo de olho) e ao espelho de referência. Quando a luz refletida de ambos é recombinada, gera-se um padrão de interferência (interferograma) a partir do qual a intensidade de reflexão em cada profundidade é calculada. Esse perfil de intensidade de reflexão na direção da profundidade é chamado de A-scan, e os A-scans dispostos lateralmente formam o B-scan (imagem tomográfica).

  • TD-OCT (Domínio Temporal): Um espelho móvel no caminho do feixe de referência é movido mecanicamente para alterar gradualmente o comprimento do caminho óptico, e a intensidade de reflexão em cada profundidade é obtida sequencialmente. Devido à limitação de velocidade, seu uso clínico está praticamente extinto atualmente.
  • SD-OCT (Domínio Espectral): O espelho de referência é fixo, e a luz refletida é decomposta por comprimento de onda usando uma rede de difração ou espectrômetro. A transformada de Fourier é aplicada ao espectro obtido para obter informações de todas as profundidades de uma só vez. A velocidade de aquisição aumenta drasticamente e o ruído é reduzido.
  • SS-OCT (Fonte de Varredura de Comprimento de Onda): Combina uma fonte de laser que varre rapidamente o comprimento de onda e um detector de equilíbrio duplo, e transforma por Fourier o espectro obtido em série. Usando comprimento de onda longo próximo a 1050 nm, a penetração através do EPR e da coroide aumenta, sendo excelente para visualização de estruturas profundas.
  • OCTA: Repete múltiplas varreduras B no mesmo local e extrai a mudança de brilho entre as varreduras (decorrelação) como sinal de fluxo sanguíneo. O plexo capilar superficial, plexo capilar profundo, retina externa e lâmina capilar coroidal podem ser separados e representados por profundidade.

No glaucoma e doenças do nervo óptico, as três camadas a seguir são avaliadas prioritariamente 9).

  • RNFL (Camada de Fibras Nervosas da Retina): Contém os axônios das células ganglionares da retina (CGR).
  • GCL (Camada de Células Ganglionares): Contém os corpos celulares das CGR.
  • IPL (Camada Plexiforme Interna): Contém as sinapses entre os dendritos das CGR e os axônios das células bipolares.

Com a lesão das CGR, a RNFL se atrofia. Cerca de 50% de todas as CGR estão concentradas na área central de 20° da mácula, e mesmo no glaucoma inicial, cerca de 50% das CGR podem ter desaparecido 6). O SD-OCT avalia a perda de axônios das CGR pela espessura da RNFL e o afinamento das camadas internas incluindo os corpos celulares pelo GCA.

Q Qual a diferença entre SD-OCT e SS-OCT?
A

A principal diferença está no comprimento de onda utilizado e na capacidade de visualização de estruturas profundas. O SD-OCT usa a banda de 840 nm, enquanto o SS-OCT usa a banda de 1050 nm. O comprimento de onda de 1050 nm sofre menos dispersão pelo pigmento melanina e penetra mais facilmente o EPR, portanto o SS-OCT é superior na observação da coroide e esclera. Além disso, a velocidade de aquisição do SS-OCT supera a do SD-OCT, facilitando varreduras de amplo ângulo. Por outro lado, a resolução axial de ambos é de cerca de 5-7 μm, sem grande diferença.

Avaliação da Coroide e Estruturas Profundas com SS-OCT

Seção intitulada “Avaliação da Coroide e Estruturas Profundas com SS-OCT”

Graças à capacidade de varredura rápida e de amplo ângulo do SS-OCT com comprimento de onda de 1050 nm, a avaliação do espectro de doenças paquicoroides (pachychoroid disease spectrum) está avançando. A precisão da avaliação da coroidopatia serosa central, vasculopatia coroidal polipoidal (PCV) e telangiectasia parafoveal melhorou, contribuindo para a compreensão da fisiopatologia. Além disso, estão em andamento tentativas de avaliar a tomografia de áreas amplas incluindo a retina periférica na mesma aquisição da mácula.

Foram desenvolvidas IAs de diagnóstico automático para glaucoma, DMRI e EMD, e relatou-se melhora na precisão diagnóstica. Por meio da análise de imagens de OCT baseada em aprendizado profundo, a melhora na precisão da segmentação e a geração automática de relatórios estão sendo colocadas em prática 6)7).

Estudos longitudinais são necessários para estabelecer a utilidade da OCT como ferramenta de triagem e monitoramento em doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson 9). O afinamento da RNFL e GCIPL em pacientes com distúrbio comportamental do sono REM é notado como um biomarcador substituto para a doença de Parkinson prodrômica 9).

  • Aplicação clínica de OCT de ultra-alta resolução, OCT sensível à polarização e OCT de óptica adaptativa
  • Melhora da precisão da comparação longitudinal por meio da padronização entre dispositivos 6)7)
  • Avaliação simultânea de estrutura e fluxo sanguíneo por meio da integração com OCTA
  • Inclusão da OCT nos critérios diagnósticos de EM (critérios de McDonald): nos critérios atuais (revisão de 2017), o nervo óptico não está listado como local de DIS, mas foi relatada melhora na sensibilidade com a inclusão de lesões ópticas assintomáticas, e pesquisas estão em andamento para expandir seu uso na comprovação de DIS e DIT em revisões futuras 9)
  1. American Academy of Ophthalmology Retina/Vitreous Panel. Idiopathic Macular Hole Preferred Practice Pattern. Ophthalmology. 2019.

  2. American Academy of Ophthalmology Retina/Vitreous Panel. Idiopathic Epiretinal Membrane and Vitreomacular Traction Preferred Practice Pattern. Ophthalmology. 2019.

  3. American Academy of Ophthalmology Retina/Vitreous Panel. Diabetic Retinopathy Preferred Practice Pattern. Ophthalmology. 2024.

  4. American Academy of Ophthalmology Retina/Vitreous Panel. Retinal Vein Occlusions Preferred Practice Pattern. Ophthalmology. 2024.

  5. American Academy of Ophthalmology Retina/Vitreous Panel. Age-Related Macular Degeneration Preferred Practice Pattern. Ophthalmology. 2024.

  6. 日本緑内障学会. 緑内障診療ガイドライン(第5版). 日眼会誌. 2022;126:85-177.

  7. American Academy of Ophthalmology. Primary Open-Angle Glaucoma Preferred Practice Pattern®. 2020.

  8. American Academy of Ophthalmology. Primary Open-Angle Glaucoma Suspect Preferred Practice Pattern®. 2020.

  9. Lo C, Vuong LN, Micieli JA. Recent advances and future directions on the use of optical coherence tomography in neuro-ophthalmology. Taiwan J Ophthalmol. 2021;11(2):107-131.

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