Osteoma Coroideano
1. O que é osteoma coroidal
Seção intitulada “1. O que é osteoma coroidal”O osteoma coroidal (choroidal osteoma) é um tumor benigno no qual tecido ósseo ectópico se forma dentro da coroide. Ocorre frequentemente no polo posterior do fundo e aparece como uma lesão amarelo-esbranquiçada plana. A causa é desconhecida, e existem teorias como separação óssea (tecido ósseo ectópico) ou envolvimento inflamatório.
Durante o curso, podem ocorrer pigmentação, atrofia do epitélio pigmentar da retina (EPR) ou descalcificação, alterando a aparência do fundo conforme o estágio. Tende a crescer lentamente, mas eventualmente para.
Epidemiologia
Seção intitulada “Epidemiologia”- Tumor benigno relativamente raro, representando uma pequena parte de todos os tumores intraoculares.
- Ocorre mais frequentemente em mulheres jovens, suspeita-se de envolvimento hormonal, mas a causa é desconhecida.
- Pode ocorrer bilateralmente.
- Ocorre preferencialmente no polo posterior (especialmente ao redor do disco óptico).
Estágios de Progressão da Lesão
Seção intitulada “Estágios de Progressão da Lesão”Não há um sistema de classificação claro, mas os seguintes estágios de progressão da lesão são distinguidos.
| Estágio | Características |
|---|---|
| Inicial | Lesão plana amarelo-esbranquiçada ou amarelo-alaranjada no polo posterior. Quase sem elevação. |
| Avançado | Descalcificação, degeneração e atrofia do EPR e camadas externas da retina alteram a aparência do fundo. |
| Estágio com CNV | Ocorre neovascularização de coroide (CNV), levando a hemorragia retiniana e diminuição da visão. |
Osteoma coroideu é um tumor benigno no qual tecido ósseo ectópico se forma na coroide. Ocorre frequentemente no polo posterior, sendo ligeiramente mais comum em mulheres jovens. Não há relatos de malignização ou metástase, mas pode causar diminuição da visão se estender para a mácula. Não há tratamento definitivo, e a observação é a base.
2. Principais sintomas e achados clínicos
Seção intitulada “2. Principais sintomas e achados clínicos”
Sintomas subjetivos
Seção intitulada “Sintomas subjetivos”- Defeito de campo visual: Ocorre correspondendo ao local do tumor. Frequentemente não é percebido no início.
- Diminuição da visão: Ocorre diminuição significativa da visão quando a lesão se estende à mácula.
- Hemorragia retiniana e hemorragia vítrea: Ocorrem quando há desenvolvimento de CNV (neovascularização coroideia). Causam diminuição aguda da visão.
- Se o tumor não se estender à mácula, os sintomas subjetivos podem ser mínimos.
Achados de fundo de olho
Seção intitulada “Achados de fundo de olho”No polo posterior, especialmente ao redor do disco óptico, são observados os seguintes achados:
- Lesão em placa amarelo-esbranquiçada a amarelo-alaranjada, com quase nenhuma elevação. Pode ser acompanhada de irregularidades.
- Observada como uma lesão elevada amarelo-esbranquiçada plana com bordas nítidas. Frequentemente acompanhada de vasos finos na superfície do tumor.
- Com a progressão, ocorre degeneração e atrofia do EPR e das camadas externas da retina adjacentes, e os achados de fundo de olho mudam.
Achados de imagem
Seção intitulada “Achados de imagem”Angiografia fluoresceínica (AF):
- Desde o início, observa-se hiperfluorescência em placas ou granular correspondente ao tumor.
- Na fase tardia, torna-se hiperfluorescência difusa.
- Quando há CNV, observa-se vazamento de fluoresceína.
Ultrassonografia (modo B):
- Observa-se uma reflectividade alta em forma de placa no local do tumor, com sombra acústica posterior (desaparecimento ou atenuação da reflectividade).
Tomografia computadorizada (TC) (determinante para o diagnóstico):
- A área do tumor mostra densidade alta equivalente ao osso (alto valor de TC).
OCT:
- Útil para avaliar a altura do tumor, CNV e líquido sub-retiniano.
3. Causas e Fatores de Risco
Seção intitulada “3. Causas e Fatores de Risco”O mecanismo de desenvolvimento do osteoma coroidal é desconhecido. Atualmente, as seguintes hipóteses são propostas:
- Teoria do coristoma ósseo: Pressupõe uma anomalia congênita na qual tecido ósseo ectópico se forma na coroide.
- Teoria inflamatória: Sugere que a inflamação desencadeia a ossificação.
- Hipótese hormonal: Por ser relativamente comum em mulheres jovens, suspeita-se de associação com a secreção hormonal, mas o mecanismo específico não foi elucidado.
Não há relatos de malignização ou metástase, e o tumor em si segue um curso benigno.
4. Diagnóstico e Métodos de Exame
Seção intitulada “4. Diagnóstico e Métodos de Exame”
Pontos de Diagnóstico
Seção intitulada “Pontos de Diagnóstico”Uma lesão plana amarelo-esbranquiçada no polo posterior (especialmente ao redor do disco óptico) é encontrada no exame de fundo de olho, e o diagnóstico definitivo é feito por TC e ultrassonografia.
- Exame de Fundo de Olho: Lesão plana amarelo-esbranquiçada a amarelo-alaranjada no polo posterior. Avaliar a expansão da lesão, alterações do EPR e presença de CNV.
- TC (Diagnóstico Definitivo): Mostrar densidade alta (valor de TC alto) equivalente ao osso no local do tumor é o fator decisivo para o diagnóstico definitivo.
- Ultrassonografia: Imagem hiperecogênica em forma de placa com sombra acústica posterior é característica e apoia o diagnóstico.
- Angiografia Fluoresceínica (AF): Hiperfluorescência pontilhada ou granular precoce e hiperfluorescência difusa tardia. Quando há CNV, adiciona-se vazamento de fluoresceína.
- OCT: Pode avaliar detalhadamente alterações do EPR e da retina neural, líquido subretiniano e presença de CNV.
Diagnóstico Diferencial
Seção intitulada “Diagnóstico Diferencial”É importante diferenciar de doenças com calcificação.
| Doença | Ponto de Diferenciação |
|---|---|
| Retinoblastoma | Comum em crianças. Massa branca com calcificações. Avaliada por TC e ultrassom |
| Hamartoma astrocítico (associado à esclerose tuberosa) | Lesão branca ao redor do disco óptico e polo posterior. Com calcificações |
| Melanoma maligno de coroide | Proeminência em cúpula, pigmentada. Padrão de circulação dupla na AF. Baixa refletividade interna no ultrassom |
| Tumor metastático de coroide | Histórico de neoplasia maligna sistêmica. Lesões planas e múltiplas. Hiperfluorescência precoce na AF |
| Hemangioma de coroide | Cor laranja-avermelhada. Padrão característico na AF e ICGA. Alta refletividade no ultrassom |
Mostrar densidade alta equivalente ao osso na TC é o ponto decisivo para o diagnóstico definitivo. O diagnóstico é feito juntamente com a sombra acústica no ultrassom. Se o exame de fundo de olho mostrar uma lesão plana amarelo-esbranquiçada no polo posterior, suspeite desta doença e realize uma investigação detalhada com TC e ultrassom.
5. Tratamento padrão
Seção intitulada “5. Tratamento padrão”Princípios Básicos: Observação
Seção intitulada “Princípios Básicos: Observação”Como não há tratamento curativo estabelecido, o básico é a observação. É importante avaliar periodicamente a expansão do tumor e a presença de novos vasos. Enquanto não se estender à mácula, o impacto na função visual costuma ser leve.
Tratamento no Início da CNV
Seção intitulada “Tratamento no Início da CNV”Quando a neovascularização coroidal (CNV) é confirmada, os seguintes tratamentos sintomáticos são considerados para preservar a visão.
- Fotocoagulação (coagulação a laser): Realizada para CNV. Lesões extramaculares são mais adequadas.
- Terapia Fotodinâmica (PDT): Terapia fotodinâmica com verteporfina. Embora não seja coberta pelo seguro, foi relatada certa eficácia.
- Injeção intravítrea de anti-VEGF: Ranibizumabe, aflibercepte, bevacizumabe, etc. Não coberta pelo seguro, mas espera-se efeito de regressão da CNV.
A indicação e escolha do tratamento são decididas individualmente, considerando a localização da CNV, acuidade visual e histórico do paciente.
Não há tratamento curativo, e basicamente é realizada observação. Se ocorrer neovascularização coroidal com perda de visão, são realizados tratamentos sintomáticos com PDT ou injeção intravítrea de anti-VEGF. Como ambos não são cobertos pelo seguro, o plano é decidido após discussão suficiente com o médico assistente.
6. Fisiopatologia e Mecanismo Detalhado
Seção intitulada “6. Fisiopatologia e Mecanismo Detalhado”Mecanismo de Formação Óssea Ectópica
Seção intitulada “Mecanismo de Formação Óssea Ectópica”A essência do osteoma coroidal é a formação óssea ectópica dentro da coroide. O mecanismo pelo qual o tecido ósseo surge no tecido coroidal normal é desconhecido, mas os seguintes pontos são conhecidos.
- A lesão se expande gradualmente, mas tende a parar em algum momento.
- Por ser relativamente mais comum em mulheres jovens, suspeita-se do envolvimento da secreção hormonal, mas o mecanismo molecular é desconhecido.
- A teoria do coristoma (choristoma) assume uma aberração do tecido ósseo devido a anormalidades embriológicas.
- A teoria inflamatória assume indução de ossificação após inflamação, mas muitas vezes não é possível confirmar um histórico inflamatório claro.
Descalcificação (Decalcification)
Seção intitulada “Descalcificação (Decalcification)”Durante o curso, pode ocorrer descalcificação do tumor. Quando ocorre descalcificação, os limites do osteoma no fundo tornam-se indistintos e a cor muda. Há relatos de que a CNV ocorre facilmente após a descalcificação. Quanto à frequência da descalcificação e seu impacto quantitativo no prognóstico visual, a coleta de casos ainda está em andamento.
Mecanismo de deficiência visual
Seção intitulada “Mecanismo de deficiência visual”- O EPR e os fotorreceptores localizados diretamente acima do tumor degeneram e atrofiam ao longo do tempo.
- Quando ocorre CNV, o vazamento dos vasos sanguíneos causa líquido sub-retiniano e hemorragia retiniana, levando a uma queda abrupta da acuidade visual.
- Quando se estende à mácula, os fotorreceptores da fóvea são danificados, resultando em diminuição acentuada da acuidade visual. Uma vez ocorrida, a perda visual é difícil de recuperar.
Prognóstico
Seção intitulada “Prognóstico”- Desde que não se estenda à mácula, não há grande comprometimento da função visual.
- Quando a lesão atinge a mácula, ocorre diminuição acentuada da acuidade visual e a recuperação não é esperada.
- Em casos bilaterais, mesmo que um olho progrida primeiro, é necessário atenção ao curso do outro olho.
- Não há relatos de malignização ou metástase.
7. Pesquisas Recentes e Perspectivas Futuras
Seção intitulada “7. Pesquisas Recentes e Perspectivas Futuras”Aplicação do Tratamento Anti-VEGF na CNV
Seção intitulada “Aplicação do Tratamento Anti-VEGF na CNV”Embora não coberto pelo seguro, injeções intravítreas anti-VEGF com ranibizumabe ou aflibercepte têm sido aplicadas em casos de CNV associada. Relatos de casos e pequenas séries relataram regressão da CNV e melhora da visão, mas não existem ensaios clínicos randomizados sobre o protocolo de administração (intervalo, número, combinação com outros tratamentos) no momento. Espera-se acúmulo de evidências no futuro.
Avaliação Detalhada com OCT e OCT-A
Seção intitulada “Avaliação Detalhada com OCT e OCT-A”Com o avanço da angiografia por tomografia de coerência óptica (OCT-A), tornou-se possível avaliar a estrutura vascular da CNV de forma não invasiva e detalhada. A avaliação quantitativa da CNV usando OCT-A no osteoma coroide e sua aplicação no acompanhamento são desafios futuros.
Elucidação do Mecanismo de Descalcificação
Seção intitulada “Elucidação do Mecanismo de Descalcificação”O mecanismo molecular de por que ocorre a descalcificação e por que a CNV é mais propensa a ocorrer após a descalcificação ainda é desconhecido. Pesquisas estão sendo realizadas sobre a relação com fatores relacionados ao metabolismo ósseo (como RANKL e OPG).
8. Referências
Seção intitulada “8. Referências”- Shields CL, Sun H, Demirci H, et al. Factors predictive of tumor growth, tumor decalcification, choroidal neovascularization, and visual outcome in 74 eyes with choroidal osteoma. Arch Ophthalmol. 2005;123(12):1658-1666.
- Shields JA, Shields CL. Intraocular Tumors: An Atlas and Textbook. 3rd ed. Philadelphia: Wolters Kluwer; 2015.
- Tsui I, Gillies MC, Barlow R, et al. Photodynamic therapy for choroidal neovascularization complicating choroidal osteoma. Retina. 2006;26(7):804-810.
- Nadarajah S, Blumenkranz MS. Intravitreal bevacizumab for choroidal neovascularization secondary to choroidal osteoma. Retina. 2009;29(6):888-890.