Pular para o conteúdo
Retina e vítreo

Retinopatia associada à miopia patológica (degeneração miópica)

Miopia patológica (PM) é definida como miopia alta com refração ≥ -6,0 D ou comprimento axial ≥ 26,5 mm, acompanhada de alterações degenerativas no fundo. Pela classificação META-PM, olhos com atrofia difusa ou mais grave no fundo ou com estafiloma posterior são diagnosticados como miopia patológica.

A miopia patológica representa 13% dos distúrbios visuais com acuidade visual corrigida ≤ 0,1 e é a segunda causa de cegueira após o glaucoma. A prevalência global é relatada entre 0,2% e 3,8%, com maior prevalência no Leste Asiático.

Maculopatia miópica é um termo abrangente para alterações do fundo no polo posterior, incluindo atrofia coriorretiniana miópica e três lesões plus: lacquer cracks, neovascularização miópica (MNV; anteriormente chamada de neovascularização coroidal/CNV) e mancha de Fuchs. Internacionalmente, o termo CNV está sendo substituído por MNV. 1)

A classificação ATN também é usada para descrever alterações do fundo. A significa Atrofia, T significa Tração, N significa Neovascular (MNV miópica). Combinar as classificações META-PM e ATN permite uma avaliação abrangente do tipo, gravidade e atividade da lesão. 5)

Estafiloma é uma protrusão local da esclera devido ao alongamento axial, sendo um achado importante que caracteriza a miopia patológica. Idade, comprimento axial e morfologia do polo posterior são importantes na avaliação do início e progressão da miopia patológica 7).

MNV miópica ocorre em 5–11% dos olhos com miopia alta e é a principal causa de CNV em indivíduos com ≤ 50 anos. Em 8 anos de acompanhamento, cerca de 6% dos pacientes com PM sem histórico de MNV desenvolvem a condição, e se um olho é afetado, cerca de 35% desenvolvem no outro olho.

Maculopatia tracional miópica (MTM) é encontrada em 9–34% dos olhos com miopia alta e estafiloma posterior. Phillips a descreveu pela primeira vez em 1958 como “descolamento da retina do polo posterior sem buraco macular na miopia alta”, depois Takano e Kishi relataram a detecção por OCT em 1999, e Panozzo propôs o termo “MTM”.

O aumento do risco de complicações por aumento de 1D na miopia a seguir demonstra a importância de retardar a progressão. 8)

ComplicaçãoAumento do risco por aumento de 1D
Degeneração macularAumento de 58%
Glaucoma de ângulo abertoAumento de 20%
CatarataAumento de 21%
Descolamento de retinaAumento de 30%
Q Qual a diferença entre miopia patológica e miopia alta?
A

Miopia alta refere-se a uma condição com refração de -6D ou mais ou comprimento axial de 26,5 mm ou mais. A miopia patológica é acompanhada por alterações degenerativas do fundo (atrofia, estafiloma, lacas) e é definida na classificação META-PM como “olho com alterações atróficas difusas ou mais ou estafiloma posterior”. Na miopia patológica, o prognóstico visual é ruim e ocorrem complicações graves como MNV e MTM.

  • Baixa acuidade visual: Causada principalmente por MNV miópica ou atrofia macular. Na MTM, piora progressivamente com a esquise retiniana e descolamento foveal.
  • Metamorfopsia (distorção): Objetos parecem distorcidos. Aparece na MNV e MTM. Na MNV, devido à natureza do CNV tipo 2 (acima do EPR), os sintomas subjetivos aparecem precocemente e progridem rapidamente.
  • Escotoma central: Encontrado em atrofia localizada, atrofia macular, MNV e MTM.
  • Visão turva e moscas volantes: Aumentam com a liquefação vítrea e descolamento posterior do vítreo.
  • Pode ser assintomático: Na MTM (esquise da camada interna da retina mantida pelas células de Müller) e atrofia inicial, pode permanecer assintomático por longos períodos. Pode ser difícil de perceber devido à baixa visão preexistente da miopia alta.

Os principais achados de fundo de olho com base na classificação META-PM são mostrados abaixo.

Fase inicial a intermediária

Fundo tigroide (tigroid fundus): Achado típico com visualização dos vasos coroidais. Equivalente à Categoria 1–2.

Atrofia peripapilar (PPA): Afinamento da coroide e EPR ao redor do disco óptico. Presente desde o início.

Rachaduras em laca (lacquer cracks): Fissuras lineares na membrana de Bruch. Risco de CNV OR 2,56. 6)

Fase avançada

Atrofia difusa: Afinamento e atrofia extensos do EPR e coroide. A longo prazo, 57% progridem. 6)

Atrofia focal / atrofia macular: Focos de atrofia amarelados com bordas nítidas. A membrana de Bruch desaparece em área e os capilares coroidais ocluem totalmente. 81% das atrofias focais progridem e, se atingem a fóvea, causam grave deficiência visual. 6)

Estafiloma: Protrusão escleral no polo posterior. Confirmado por retinografia e OCT.

Achados por estágio da MNV miópica (lesão Plus):

  • Fase ativa: Lesão sub-retiniana esbranquiçada. Na OCT, detectada como massa hiper-refletiva sobre o EPR com bordas mal definidas. Na AF, CNV clássica (hiperfluorescência precoce nítida e vazamento tardio). Descolamento seroso da retina e edema retiniano mínimos. 1)
  • Fase cicatricial: Linha hiper-refletiva encapsulada pelo EPR (OCT). Mancha de Fuchs (cicatriz pigmentada) aparece no fundo. A indefinição do encapsulamento sugere reativação. 1)
  • Fase atrófica: Expansão da atrofia macular relacionada à MNV. A visão central diminui acentuadamente. 1)

Achados de OCT e classificação de estágios da MTM (maculopatia tracional miópica):

Na OCT, observa-se separação das camadas internas da retina e estruturas em ponte nos espaços retinianos. A progressão é avaliada de S0 a S4. 20)

EstágioExtensão da separaçãoCaracterísticas
S0NenhumSem descolamento
S1Apenas fora da fóveaDescolamento parafoveal
S2Envolvendo a fóveaDescolamento da fóvea presente
S3Envolvendo a fóvea, mas não toda a máculaDescolamento macular parcial
S4Toda a máculaPropenso a progredir e requer maior atenção

Alguns casos apresentam descolamento retiniano perifoveal múltiplo, e deve-se atentar para a possibilidade de descolamento foveal superficial, buraco macular lamelar/de espessura total e membrana epirretiniana. 18)

Q Com que idade a MNV miópica geralmente começa?
A

Diferente da degeneração macular relacionada à idade, a MNV miópica pode começar na segunda década de vida. É a principal causa de CNV em menores de 50 anos, caracterizada por início precoce. Após o acometimento de um olho, o outro olho também é afetado em cerca de 35% dos casos, sendo importante o exame regular de ambos os olhos.

O alongamento axial é a causa fundamental da miopia patológica. À medida que o eixo ocular se alonga, a retina, coroide e esclera são estiradas, resultando em afinamento, atrofia e fissuras. O alongamento axial continua em adultos, a cerca de 0,1 mm/ano entre 18-25 anos e 0,05 mm/ano após os 25 anos. 15)

  • Fatores genéticos: A genética desempenha um papel importante no início e progressão da miopia. A alta prevalência em asiáticos orientais também sugere isso.
  • Fatores ambientais: Trabalho de perto e redução de atividades ao ar livre aceleram a progressão da miopia.
  • Aumento do risco com idade e eixo axial: Idade avançada e alongamento axial são os principais fatores associados ao início e progressão da miopia patológica. 7)

O Estudo Hisayama (2012, em residentes com ≥40 anos) relatou prevalência de atrofia difusa de 1,7%, atrofia focal e atrofia macular de 0,4% cada. Mulheres tiveram OR 3,29, cada ano de idade OR 1,12, e cada 1 mm de alongamento axial OR 4,20.

Fatores de risco para MNV:

  • Lacquer cracks: OR 2,56 para início de MNV 6)
  • Mácula em forma de cúpula (DSM): OR 4,95 para início de MNV (37% com DSM vs 11% sem) 6)
  • Atrofia coriorretiniana focal, eixo axial longo e sexo feminino

Fatores de risco para MTM:

  • Presença de estafiloma posterior (tipo I: OR 2,28, tipo II: OR 2,81) 6)
  • Descolamento envolvendo toda a mácula (S4), presença de tecido pré-macular 20)
  • Regressão espontânea ocorre em apenas cerca de 3,9% 19)

Fatores de risco para progressão da maculopatia miópica: Atrofia difusa peripapilar, sexo feminino, alongamento axial rápido, comprimento axial longo, idade avançada (odds ratio mais altos nessa ordem). Taxa de progressão: 47,0/1000 olhos-ano (acompanhamento >10 anos). No estafiloma tipo IX (septal), taxa de progressão de 86% (OR 29,3). 6)

Q Parar a progressão da miopia reduz o risco de cegueira?
A

O aumento de 1D na miopia aumenta significativamente o risco de degeneração macular, glaucoma, catarata e descolamento de retina. 8) O NNT para desacelerar a progressão da miopia é estimado em 4,1-6,8, indicando que desacelerar a progressão previne complicações futuras. 8)

  • Exame de refração e medição axial: Medir o grau de refração e o comprimento axial para confirmar a definição.
  • Microscopia de lâmpada de fenda e exame de fundo de olho: Avaliar fundo tigroide, atrofia peripapilar, estafiloma e lacas.
  • Exame de acuidade visual: A melhor acuidade visual corrigida (BCVA) é um indicador básico para avaliar a progressão da lesão e o comprometimento funcional.
  • OCT: Essencial para detectar retinosquise macular, neovascularização coroidal (MNV) e líquido sub-retiniano. Na MTM, observa-se separação intralamelar ao longo da parede interna do estafiloma e estruturas em ponte. A MNV miópica ativa é detectada como uma massa hiperrefletiva de bordas mal definidas sobre o EPR. O descolamento seroso da retina e o edema retiniano são mínimos. Às vezes, é difícil diferenciar de hemorragia macular simples apenas com OCT. 1)
  • Angiografia Fluoresceínica (FA): Mais útil para identificar MNV ativa. A MNV é observada como CNV clássica (com vazamento de fluoresceína). 1) Exame essencial para diferenciar de hemorragia macular simples (sem vazamento de fluoresceína).
  • Angiotomografia de Coerência Óptica (OCTA): Visualiza a estrutura vascular da MNV de forma não invasiva. Sensibilidade de detecção de MNV de 90,48%, especificidade de 93,75%. 11) Na fase ativa, apresenta “rede rendilhada, anastomoses amplas, halo hipointenso ao redor da lesão”; na fase inativa, “vasos maduros longos e lineares, anastomoses raras (aparência de árvore seca)”. Mesmo na fase cicatricial, mostra sinal de fluxo sanguíneo, portanto não é adequado para avaliação isolada de atividade. 1) Também útil para diferenciar de hemorragia macular simples. No modo Angio-B, pode visualizar MNV precoce difícil de detectar na OCT estrutural. 11)
  • Angiografia com Verde de Indocianina (IA): Baixa sensibilidade para detecção de MNV, mas alta performance para detectar lacas (hipofluorescência linear nas fases tardias). 1)
  • Autofluorescência de Fundo (FAF): Visualiza claramente a atrofia macular como hipofluorescência. Útil para avaliar a progressão da atrofia. Recomendado para acompanhamento após estabilização da MNV. 1)
  • OCTA de Campo Amplo: Aplicado na avaliação global do estafiloma. 14)

Utilização da Classificação META-PM e Classificação ATN

Seção intitulada “Utilização da Classificação META-PM e Classificação ATN”

As classificações META-PM e ATN são combinadas para avaliar sistematicamente o tipo, gravidade e atividade da lesão. 1, 5) A presença de estafiloma é um importante indicador diagnóstico com valor preditivo positivo de 89,8% para miopia patológica. 7)

Doença DiferencialPontos de Diferenciação
Hemorragia Macular SimplesSem vazamento de fluoresceína na FA. Absorção espontânea em 2-3 meses. Na OCT, hiperrefletividade ao longo da camada de fibras de Henle.
Degeneração Macular Relacionada à IdadeAcompanhada de drusas e descolamento do EPR. Alterações exsudativas intensas.
Coroidite puntiforme interna (PIC)Mulheres jovens com miopia moderada. Lesões amarelo-esbranquiçadas pequenas (≤500 μm) limitadas ao polo posterior. Espessamento coroidal associado à inflamação
Coroidite multifocal (MFC)Doença relacionada à PIC. Envolvimento inflamatório da coroide
Mácula em forma de cúpula (Dome-shaped macula)Protrusão côncava característica na OCT. Pode haver associação com MNV
Síndrome do disco inclinadoMNV pode ocorrer na borda do estafiloma inferior
Q Qual a diferença entre hemorragia macular simples e MNV miópica?
A

A hemorragia macular simples é decorrente de dano aos capilares coroidais durante a formação de lacquer cracks, sendo reabsorvida espontaneamente em 2-3 meses e geralmente não necessitando tratamento. A MNV miópica é uma hemorragia associada à MNV (neovascularização), apresentando extravasamento de fluoresceína na angiografia fluoresceínica (FA). Quando a diferenciação é difícil apenas pela OCT, a FA torna-se obrigatória. 1)

Atualmente, não há tratamento eficaz para lesões de atrofia coriorretiniana miópica (atrofia difusa, atrofia focal, atrofia macular). O acompanhamento regular com OCT, exame de fundo de olho e FAF é a base do manejo.

A injeção intravítrea de anti-VEGF é o único tratamento de primeira linha com eficácia comprovada por ensaios clínicos randomizados multicêntricos prospectivos. 1)

Medicamentos Aprovados pelo Seguro (Japão):

  • Ranibizumabe (Lucentis®): Aprovado pelo seguro desde 2013
  • Aflibercepte (Eylea®): Aprovado pelo seguro desde 2014
  • Bevacizumabe (Avastin®): Uso off-label (não coberto pelo seguro)

Esquema de Administração: O esquema padrão é 1 dose inicial + reforço conforme necessário (1+PRN). 1, 2, 5)

  • Comparado ao esquema 3+PRN, não houve diferença significativa na melhora da acuidade visual, e o grupo 1+PRN necessitou de menos injeções (1,8 vs 3,2 injeções em 12 meses). 9)
  • Metanálise em rede de Glachs (34 estudos, 2098 olhos): Os anti-VEGF mostraram melhora de +14,1 letras (IC 95% 10,8–17,4) em comparação com nenhum tratamento, e +12,1 letras (IC 95% 8,3–15,8) em comparação com PDT em 6 meses. 9)
  • Não houve diferença significativa na melhora da acuidade visual entre bevacizumabe, ranibizumabe e aflibercepte. 9)

Principais Ensaios Clínicos:

  • Ensaio MYRROR: Ensaio clínico randomizado multicêntrico internacional que comprovou a eficácia do aflibercepte. 3)
  • Ensaio RADIANCE: Ensaio clínico randomizado multicêntrico internacional que comprovou a eficácia do ranibizumabe. 4)

Acompanhamento: Na MNV ativa, follow-up mensal. Após estabilização da MNV, o intervalo entre doses pode ser estendido para até 3 meses. 5) A detecção e o tratamento precoces são importantes para intervir antes da expansão da MNV ou formação de cicatriz. 1)

Outros Tratamentos:

  • Terapia Fotodinâmica (PDT): Efeito de melhora da acuidade visual inferior aos anti-VEGF 9), e a longo prazo pode piorar a atrofia macular. Não é coberto pelo seguro no Japão.
  • Injeção Intravítrea de Triancinolona Acetonida: Inferior aos anti-VEGF, com risco de aumento da pressão intraocular e progressão de catarata. 9)
  • Fotocoagulação a laser: Pode induzir a recorrência de MNV pelo fenômeno de “run-off”, não sendo mais recomendada atualmente.

A vitrectomia é a base.

Vitrectomia

Vitrectomia via pars plana (PPV) + remoção da membrana limitante interna: Remove a tração anterior e elimina o arcabouço para proliferação celular.

Técnica do retalho invertido da MLI (inverted ILM flap): Comparado à remoção isolada da MLI, as taxas de reposicionamento retiniano (97,8% vs 82%) e fechamento do buraco macular (93,5% vs 38,5%) são maiores. 17)

Remoção da membrana limitante interna com preservação da fóvea: Técnica para reduzir o risco de buraco macular iatrogênico. 20)

Buckle macular

Cirurgia de buckle macular: Um material de buckle escleral é colocado no polo posterior para empurrar o estafiloma externamente. Trata diretamente a causa estrutural do estafiloma.

Vantagens: Evita catarata, evita buraco macular iatrogênico. Relata-se maior sucesso anatômico e melhores resultados funcionais em comparação com vitrectomia isolada. 17)

Atenção: Cuidado com compressão das veias vorticosas, neuropatia óptica traumática e desvio hipermetrópico.

Indicações cirúrgicas: Quando há comprometimento visual, risco de progressão para buraco macular ou descolamento tracional da retina, ou progressão do descolamento foveal. 20)

Prognóstico cirúrgico:

  • Casos com descolamento macular pré-operatório têm melhor prognóstico visual
  • Casos com buraco macular pré-operatório ou que desenvolvem buraco macular pós-operatório têm prognóstico visual ruim
  • Pode levar vários meses ou mais para a reposição da retina. Na vitrectomia, a reposição final é alcançada em quase todos os casos.
  • Descolamento de retina: Escolher buckling escleral ou vitrectomia.
  • Glaucoma: Considerar colírios ou cirurgia para neuropatia óptica miópica e glaucoma secundário.
  • Catarata: Considerar LIO fáquica ou cirurgia de catarata.
Q Quantas injeções são necessárias para o tratamento de MNV miópica?
A

O regime padrão para anti-VEGF na MNV miópica é uma dose + redose conforme necessário (1+PRN). 1) Em 12 meses, a média é de 1,8 injeções, tendendo a ser menor em comparação com a degeneração macular relacionada à idade. 9) No entanto, o acompanhamento de longo prazo para recorrência e expansão da atrofia é essencial, e o retratamento precoce é recomendado.

Com o avanço do alongamento axial, a esclera no polo posterior torna-se fina e esticada, formando uma protrusão local (estafiloma). A formação do estafiloma aumenta a tensão mecânica sobre a retina, coroide e EPR.

  • Afinamento coroidal: Com o envelhecimento, miopização e alongamento axial, a coroide torna-se acentuadamente fina. Em olhos com miopia patológica, a lâmina coriocapilar e as camadas vasculares quase desaparecem, restando frequentemente apenas os grandes vasos coroidais.
  • Oclusão dos capilares coroidais: A redução do fluxo sanguíneo leva à desnutrição do EPR e dos fotorreceptores.

Ocorre uma cadeia: alongamento axial → atrofia coroidal → diminuição das fibras elásticas da membrana de Bruch → ruptura mecânica da membrana de Bruch (rupturas lacadas). Durante a formação das rupturas lacadas, os capilares coroidais também são danificados simultaneamente, frequentemente acompanhados de hemorragia macular simples.

As fissuras causadas pelas rupturas lacadas servem como arcabouço para a futura proliferação de tecido conjuntivo associado à MNV sob o epitélio pigmentar ou sub-retiniano. Acredita-se que a ocorrência de MNV envolva, além da reação de cicatrização de feridas usando a ruptura mecânica como arcabouço, um mecanismo no qual o distúrbio circulatório devido à perda da lâmina coriocapilar e dos vasos coroidais estimula a produção de VEGF, levando à formação de uma rede vascular anormal.

Como vasos de origem da MNV miópica, as artérias ciliares posteriores curtas penetram na esclera próximas à MNV miópica e se aproximam em 75,0% dos casos, com perfusão em 100% na fase ativa, 87,9% na fase cicatricial e 73,8% na fase atrófica.

Evolução a longo prazo da atrofia do EPR e coroide

Seção intitulada “Evolução a longo prazo da atrofia do EPR e coroide”

Em um estudo de acompanhamento de longo prazo (média de 11,5 anos) com 1228 olhos na Europa, 57% da atrofia difusa e 81% da atrofia focal progrediram durante o período de acompanhamento. 6) Na evolução natural não tratada da MNV miópica, 89% em 5 anos e 96% em 10 anos tornam-se acuidade visual decimal de 0,1 ou menos.

Mecanismo de ocorrência da MTM (3 mecanismos de tração)

Seção intitulada “Mecanismo de ocorrência da MTM (3 mecanismos de tração)”

O mecanismo de ocorrência da MTM é multifatorial, envolvendo principalmente três mecanismos de tração.

  • Tração anterior (pelo vítreo): O descolamento posterior do vítreo incompleto causa tração na mácula pelo córtex vítreo residual. Isso inclui tração vitreomacular, córtex vítreo residual, membrana epirretiniana e tração vascular retiniana.
  • Tração tangencial (pela MLI): A rigidez intrínseca da membrana limitante interna não consegue se adaptar à mudança de forma do estafiloma, causando separação entre as camadas interna e externa.
  • Tração posterior (pelo estafiloma): A extensão do estafiloma escleral posterior gera uma força que puxa a camada interna da retina para longe, enquanto a camada externa da retina permanece fixada ao lado do EPR.

O aumento do fluxo de líquido devido à disfunção das células de Müller (regulação anormal do líquido intracelular e da água metabólica) contribui para a formação da cavidade de separação. 19) Além disso, o distúrbio de perfusão coroidal reduz a adesão retiniana ao EPR, tornando fácil o descolamento mesmo com tração leve. 18)

A combinação de MTM e MNV é rara, mas tem significado clínico importante. O líquido sub-retiniano do MNV pode destruir o equilíbrio de tração centrípeta e centrífuga, potencialmente promovendo a progressão do MTM. 10) A elevação mecânica devido à exsudação do MNV aplica estresse às células de Müller da fóvea enfraquecida, e foram relatados casos que causaram buraco macular de espessura total. 12)

A miopia patológica é acompanhada por afinamento grave da coroide, portanto, raramente ocorre oftalmia simpática após cirurgia ocular ou trauma. Casos graves com desaparecimento completo da coroide foram relatados, 13) e a cirurgia intraocular em olhos com miopia patológica requer atenção especial.

7. Pesquisas Recentes e Perspectivas Futuras (Relatórios em Fase de Pesquisa)

Seção intitulada “7. Pesquisas Recentes e Perspectivas Futuras (Relatórios em Fase de Pesquisa)”

História Natural de Longo Prazo da Maculopatia Miópica (Estudo MEMO)

Seção intitulada “História Natural de Longo Prazo da Maculopatia Miópica (Estudo MEMO)”

Carlà et al. (2025) analisaram a história natural da maculopatia miópica em uma coorte europeia de 1228 olhos com seguimento médio de 11,5 anos. 6) 57% apresentaram progressão das lesões de maculopatia miópica durante o seguimento. 81% das atrofias localizadas progrediram, e 47% delas atingiram atrofia macular (OR 4,21). MNV ativo surgiu em 15% dos olhos em média 4,5 anos, e a ocorrência de MNV correlacionou-se significativamente com piora da acuidade visual (p=0,001) e progressão para atrofia macular (OR 5,81). No estafiloma tipo IX (septal), a taxa de progressão atingiu 86%.

Em curto prazo, uma boa melhora da acuidade visual é alcançada, mas os resultados de longo prazo acima de 5 anos são inferiores aos de curto prazo. Mesmo após a regressão do MNV, a atrofia macular se expande anualmente, e a inibição da progressão da atrofia é um desafio futuro.

Impacto de Longo Prazo da Terapia de Inibição da Progressão da Miopia

Seção intitulada “Impacto de Longo Prazo da Terapia de Inibição da Progressão da Miopia”

Bullimore et al. (2021) estimaram que inibir a progressão da miopia em 1D reduz significativamente o risco de degeneração macular, glaucoma, catarata e descolamento de retina. 8)

O NNT para deficiência visual relacionada à miopia foi calculado entre 4,1 e 6,8. Em 2050, estima-se que 50% da população mundial terá miopia, e a inibição da progressão tem grande importância em saúde pública. 8)

Colírio de atropina em baixa concentração, ortoceratologia, lentes de contato gelatinosas multifocais e terapia com luz vermelha estão sendo estudados como principais métodos de inibição da progressão da miopia, mas a verificação dos efeitos preventivos de longo prazo nas lesões de fundo ainda está em andamento.

O modo OCT-A Angio-B pode detectar MNV precoce que é difícil de detectar com OCT estrutural ou angiografia fluoresceínica. 11) A avaliação de alta precisão de estafiloma com OCTA de campo amplo também está avançando. 14)

  • Técnica de Slingshot Macular: Técnica para criar uma fivela polar posterior personalizável usando materiais de fivela escleral de uso geral. 16)
  • Fivela Macular + Injeção Subrretiniana de BSS: Procedimento para induzir descolamento macular controlado injetando BSS subrretinianamente após colocação de fivela macular para buraco macular refratário. Fechamento do buraco macular e melhora da acuidade visual foram relatados em 2 casos. 17)
  • Transplante de Dupla Camada de Cápsula Anterior e Membrana Limitante Interna: Nova técnica de dividir a cápsula anterior do cristalino ao meio e inseri-la no buraco com a membrana limitante interna colocada transversalmente. Melhora da acuidade visual de 20/600 para 20/80 foi relatada 1 ano após a cirurgia. 21)
  • Regressão da Retinosquise com Terapia de Colírio: O buraco macular associado à MTM fechou e a retinosquise melhorou apenas com colírio de prednisolona 1% (4 vezes ao dia) e bromfenaco 0,07% (1 vez ao dia), com recuperação da acuidade visual de 20/50 para 20/20. Este é o primeiro relato de regressão de MTM com terapia tópica em comparação com a taxa de regressão espontânea de cerca de 3,9%. 19)

Pesquisas estão em andamento para realizar crosslinking de colágeno na esclera com o objetivo de inibir o alongamento axial. Métodos usando irradiação de riboflavina-UVA ou agentes de crosslinking químico estão sendo investigados, mas a segurança e eficácia ainda não foram estabelecidas.

Q Qual é a melhor ação que os pais podem tomar agora para uma criança com miopia?
A

A inibição da progressão da miopia na infância reduz o risco de complicações futuras. Cada aumento de 1D na miopia demonstrou aumentar o risco de degeneração macular, glaucoma, catarata e descolamento de retina. 8) Recomenda-se exames oftalmológicos regulares, garantir atividades ao ar livre e considerar terapias de inibição da progressão, como colírio de atropina em baixa concentração ou ortoceratologia, se necessário.

  1. 近視性黄斑部新生血管診療ガイドライン作成ワーキンググループ. 近視性黄斑部新生血管の診療ガイドライン. 日眼会誌. 2024;128(10):719-729.
  2. Ohno-Matsui K, Ikuno Y, Lai TYY, Gemmy Cheung CM. Diagnosis and treatment guideline for myopic choroidal neovascularization due to pathologic myopia. Prog Retin Eye Res. 2018;63:92-106.
  3. Ikuno Y, Ohno-Matsui K, Wong TY, et al; MYRROR Investigators. Intravitreal aflibercept injection in patients with myopic choroidal neovascularization: the MYRROR Study. Ophthalmology. 2015;122:1220-1227.
  4. Wolf S, Balciuniene VJ, Laganovska G, et al; RADIANCE Study Group. RADIANCE: a randomized controlled study of ranibizumab in patients with choroidal neovascularization secondary to pathologic myopia. Ophthalmology. 2014;121:682-692.
  5. Cheung CMG, Arnold JJ, Holz FG, et al. Myopic choroidal neovascularization: review, guidance, and consensus statement on management. Ophthalmology. 2017;124:1690-1711.
  6. Carlà MM, Boselli F, Giannuzzi F, et al. Long-term natural history of myopic maculopathy in a European cohort: the MEMO study. Ophthalmol Retina. 2025;9:774-786.
  7. Yii F, Nguyen L, Strang NC, Bernabeu MO, Downie LE, Morjaria P. Factors associated with pathologic myopia onset and progression: a systematic review and meta-analysis. Ophthalmic Physiol Opt. 2024;44(5):963-976.
  8. Bullimore MA, Brennan NA. Myopia control: why each diopter matters. Ophthalmology. 2021;128:1561-1579.
  9. Glachs L, Embacher S, Berghold A, et al. Treatment of myopic choroidal neovascularization: a network meta-analysis and review. Graefes Arch Clin Exp Ophthalmol. 2024;262:1693-1722.
  10. Sayanagi K, Hara C, Fukushima Y, et al. Three cases of macular retinal detachment exacerbated during follow-up with myopic foveoschisis around myopic choroidal neovascularization. Am J Ophthalmol Case Rep. 2023;32:101899.
  11. Rico S, Sher I, Lavinksy F, et al. Optical coherence tomography Angio-B mode for early detection of myopic choroidal neovascularization and treatment with Bevacizumab. Am J Ophthalmol Case Rep. 2024;34:102041.
  12. Pereira A, Ballios BG, Sarraf D, Yan P. Full-thickness macular hole due to choroidal neovascularization in the setting of pathologic myopia. J VitreoRetinal Dis. 2023;7(1):65-69.
  13. Horie S, Yamamoto C, Nomura K, et al. Sympathetic ophthalmia in a patient with pathologic myopia with complete choroidal atrophy. Am J Ophthalmol Case Rep. 2022;25:101295.
  14. Rispoli M, Gilardi M. Wide-field OCT angiography assessment of posterior staphyloma in pathologic myopia. Ophthalmology. 2024;131(10):e73.
  15. Tideman JWL, Polling JR, Vingerling JR, et al. Axial length growth and the risk of developing myopia in European children. Acta Ophthalmol. 2025 (epub ahead of print).
  16. Clark A, Souverein EA, Rootman DB, et al. Macular sling: a customizable method for macular buckling using available elements. Retin Cases Brief Rep. 2024;18(5):535-538.
  17. Parolini B, Matello V, Rosales-Padrón JF. Combined surgical approach for repair of refractory macular hole in myopic traction maculopathy. J VitreoRetinal Dis. 2025;9(2):219-223.
  18. Yeh TC, Chen SJ. Multiple parafoveal retinal detachment in myopic tractional maculopathy. Taiwan J Ophthalmol. 2024;14:624-628.
  19. Kokame GT, Nakahira S, Yamane K, et al. Resolution of myopic macular retinoschisis and macular hole with topical medical therapy. J VitreoRetinal Dis. 2025. doi:10.1177/24741264251340107.
  20. Baskaran P, Kariya B, Rajendran A. The sequence of events in six years of a myopic traction maculopathy. GMS Ophthalmol Cases. 2025;15:Doc08.
  21. Murillo SA, Romero RM, Medina SP. Bilaminar graft of the anterior capsule and internal limiting membrane: a novel surgical technique for the treatment of macular hole and focal macular detachment associated with high myopia and posterior staphyloma. Case Rep Ophthalmol. 2022;13:783-788.

Copie o texto do artigo e cole no assistente de IA de sua preferência.