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Uveíte

Sinéquias da íris (Synechiae)

Sinéquias da íris (Synechiae) é um termo geral para uma condição em que a íris adere a estruturas adjacentes devido a inflamação intraocular. A origem da palavra vem do grego “synekhes” (manter junto).

As sinéquias da íris são divididas em dois tipos de acordo com o local da aderência.

Sinéquia posterior

Definição: Aderência da superfície posterior da íris à cápsula anterior do cristalino.

Predileção: Ocorre frequentemente na borda pupilar devido à inflamação da câmara anterior (uveíte).

Significado clínico: Se for circunferencial completa, pode causar bloqueio pupilar, levando a íris em bombé e crise aguda de glaucoma.

Sinéquia Anterior Periférica

Definição: Aderência da parte periférica da íris à malha trabecular ou linha de Schwalbe no ângulo da câmara anterior (PAS).

Forma: Variada, como em forma de tenda, trapezoidal ou áreas planas extensas.

Significância Clínica: Obstrui a via de drenagem do humor aquoso, causando glaucoma secundário de ângulo fechado.

A sinéquia posterior é frequente na uveíte. Em um estudo envolvendo uveíte infantil (associada à artrite idiopática juvenil ou idiopática), cerca de 18,4% dos olhos apresentavam sinéquia posterior na primeira consulta1).

Q Qual a diferença entre sinéquia posterior e sinéquia anterior periférica?
A

A sinéquia posterior é a aderência entre a superfície posterior da íris e a cápsula anterior do cristalino, causando bloqueio pupilar. Já a sinéquia anterior periférica (PAS) é a aderência entre a íris periférica e as estruturas do ângulo (como a malha trabecular), causando obstrução direta da via de drenagem do humor aquoso. Ambas são importantes como complicações da uveíte.

Os sintomas decorrentes da sinéquia da íris em si são frequentemente escassos. Na maioria dos casos, são percebidos como sintomas da uveíte subjacente.

  • Dor ocular e cefaleia: Hiperemia ciliar e dor ocular associadas à iridociclite aguda.
  • Visão turva e diminuição da acuidade visual: Opacidade devido a flare e células inflamatórias na câmara anterior. Progressão de catarata complicada.
  • Fotofobia: Sensação de incômodo com a luz devido à inflamação.
  • Hiperemia: Hiperemia ciliar predominante. Acentuada na inflamação aguda.
  • Dor ocular intensa e náusea: No ataque agudo de glaucoma devido à sinéquia posterior circunferencial da íris, acompanhado de dor ocular intensa, cefaleia e náusea.

Achados Clínicos (Achados Confirmados pelo Médico no Exame)

Seção intitulada “Achados Clínicos (Achados Confirmados pelo Médico no Exame)”

Confirmado pelo exame com lâmpada de fenda.

  • Irregularidade da borda pupilar: A pupila se deforma na área de sinéquia, resultando em dilatação deficiente. Pode não responder a midriáticos e tornar-se em forma de pétala.
  • Depósito de pigmento da íris na cápsula anterior do cristalino: O pigmento da íris permanece na cápsula anterior mesmo após a separação da sinéquia. Isso é evidência de história prévia de uveíte.
  • Íris em bombé (iris bombé): A sinéquia posterior circunferencial bloqueia o fluxo de humor aquoso da câmara posterior para a anterior, fazendo com que a íris se abaulamente para frente.

Isso é confirmado por exame de gonioscopia.

  • Aderência do ângulo: A íris periférica adere em várias alturas, desde o esporão escleral até a linha de Schwalbe e o endotélio corneano. É importante diferenciar das projeções normais da íris.
  • Sinéquia anterior periférica em forma de tenda: Na uveíte granulomatosa (como sarcoidose ocular), forma-se sinéquia anterior periférica em forma de tenda após a regressão dos nódulos do ângulo.
  • Exame do ângulo com compressão: A córnea é comprimida com o gonioscópio para diferenciar a aderência da íris do contato.
Q A pupila que não dilata mesmo com o uso de midriáticos é devido à sinéquia da íris?
A

Uma das causas da má dilatação pupilar é a sinéquia posterior. Se houver história prévia de uveíte, a probabilidade de sinéquia é alta. No entanto, existem outras causas, como síndrome de pseudoexfoliação ou pós-traumática, sendo necessária a diferenciação por exame com lâmpada de fenda.

A causa mais comum de sinéquia da íris é a uveíte (inflamação intraocular). O depósito de células inflamatórias, fibrina e proteínas promove a formação de sinéquias entre as estruturas.

Condições que predispõem à sinéquia anterior periférica (PAS)

Seção intitulada “Condições que predispõem à sinéquia anterior periférica (PAS)”
  • Uveíte granulomatosa: Deixa sinéquia anterior periférica em forma de tenda após regressão do nódulo do ângulo.
  • Iridociclite crônica: Inflamação persistente forma sinéquia anterior periférica no ângulo.
  • Glaucoma neovascular: Novos vasos na íris e ângulo formam membrana fibrovascular que evolui para sinéquia anterior periférica2).
  • Síndrome ICE: Caracterizada por sinéquia anterior periférica alta.
  • Trauma: Forma sinéquia anterior periférica em folha após trauma contuso.

Sabe-se que a iridociclite heterocrômica de Fuchs não causa sinéquias posteriores, característica que auxilia no diagnóstico diferencial.

O diagnóstico de sinéquias da íris baseia-se no exame com lâmpada de fenda e gonioscopia.

Essencial para detectar sinéquias posteriores da íris. Preste atenção à borda pupilar e observe a presença de aderências entre a íris e a cápsula anterior do cristalino. Após a instilação de colírio midriático, o grau de dilatação e a forma da pupila podem ser avaliados para determinar a extensão e a força das aderências.

O flare e as células inflamatórias na câmara anterior são avaliados da seguinte forma:

AchadoMétodo de AvaliaçãoGrau
FlareGrau de turvação1+ a 4+
Número de célulasNúmero de células inflamatórias1+ a 4+

Quando há deposição de fibrina ou pus na câmara anterior, a inflamação é grave e o risco de sinéquia posterior da íris é alto.

A gonioscopia é essencial para detectar e avaliar sinéquias anteriores periféricas da íris. Use gonioscópios indiretos como o de Goldmann ou o de Zeiss de quatro espelhos. Observe toda a circunferência do ângulo e registre a extensão, altura e forma das sinéquias.

  • Gonioscopia estática: Avalia a presença e o grau de sinéquias.
  • Gonioscopia de compressão (dinâmica): Comprime a córnea para empurrar a raiz da íris para trás, diferenciando sinéquias orgânicas (PAS) de contato funcional (aposição).

A altura das sinéquias anteriores periféricas da íris varia desde leve, tocando o esporão escleral, até alta, ocluindo completamente a malha trabecular, e apresenta morfologia característica conforme a doença causadora 3).

Q Qual exame detecta sinéquias posteriores da íris?
A

São diagnosticadas pelo exame com lâmpada de fenda. A aderência entre a borda pupilar e a cápsula anterior do cristalino pode ser visualizada diretamente. Se a pupila não dilatar adequadamente após instilação de colírios midriáticos ou apresentar deformação em formato de pétala, isso sugere fortemente sinéquias posteriores. Para confirmar sinéquias anteriores periféricas, é necessária a gonioscopia.

O tratamento das sinéquias da íris baseia-se em três pilares: controle da inflamação da doença causadora e prevenção de sinéquias, separação das sinéquias e manejo das complicações.

Tratamento anti-inflamatório (tratamento da doença de base)

Seção intitulada “Tratamento anti-inflamatório (tratamento da doença de base)”

O tratamento anti-inflamatório para uveíte é o mais importante.

  • Colírios de corticosteroide: Colírios de betametasona ou dexametasona são a base. Em inflamação intensa, pode-se usar a cada hora.
  • Injeção subconjuntival de corticosteroide: Injeção subconjuntival de 0,3 mL de Decadron (3,3 mg/mL) ou Kenacort-A (40 mg/mL).
  • Corticosteroide sistêmico: Considerado quando a inflamação principal está no segmento posterior.
  • AINEs: Após a inflamação diminuir, considerando o risco de glaucoma esteroidal, mudar para fluorometolona ou AINEs.

Prevenção e liberação de sinéquias com midriáticos

Seção intitulada “Prevenção e liberação de sinéquias com midriáticos”

Quando a inflamação da câmara anterior é intensa, pode ocorrer sinéquia posterior da íris, portanto, a pupila é dilatada com midriáticos para prevenir sinéquias.

  • Associação de tropicamida e cloridrato de fenilefrina (Midrin P): Colírio 3 vezes ao dia. Medicamento padrão para prevenção de sinéquias.
  • Fenilefrina (Neosyneji Kowa 5%): Usado em conjunto com Midrin P.
  • Colírio de atropina (1%): Usado quando há sinéquias graves.

Para o aumento da pressão intraocular devido a sinéquias da íris, use colírios betabloqueadores ou colírios/comprimidos inibidores da anidrase carbônica.

  • Iridotomia a laser (LPI): Realizada para bloqueio pupilar e íris em abóbada devido a sinéquias posteriores circunferenciais. Libera o bloqueio pupilar e corrige a diferença de pressão entre as câmaras anterior e posterior.
  • Observação: Pode ocorrer reoclusão devido à inflamação; se recorrente, considerar iridectomia periférica incisional.
  • Sinéquiolise (Synechiolysis): Liberação cirúrgica de sinéquias extensas.
  • Iridectomia Periférica: Realizada para bloqueio pupilar não tratável com iridotomia a laser.
  • Goniosinéquiolise (Goniosynechialysis): Realizada para ângulo fechado devido a sinéquias anteriores periféricas extensas.
  • Cirurgia de glaucoma: Se a pressão intraocular não puder ser controlada com medicamentos ou laser, considere a trabeculectomia ou cirurgia de derivação tubular.
Q O que acontece se as sinéquias da íris não forem tratadas?
A

Se a sinéquia posterior da íris progredir para envolver toda a circunferência, pode causar bloqueio pupilar, íris em bombé e crise aguda de glaucoma. Se sinéquias anteriores periféricas se formarem extensivamente, leva ao glaucoma crônico de ângulo fechado. Ambos causam deficiência visual grave, portanto, o tratamento anti-inflamatório precoce e a prevenção de sinéquias são importantes.

6. Fisiopatologia e mecanismo detalhado de ocorrência

Seção intitulada “6. Fisiopatologia e mecanismo detalhado de ocorrência”

Mecanismo de formação da sinéquia posterior da íris

Seção intitulada “Mecanismo de formação da sinéquia posterior da íris”

A inflamação na câmara anterior é o fator fundamental para a formação da sinéquia posterior da íris. Quando ocorre inflamação no corpo ciliar da íris, a permeabilidade vascular aumenta, e proteínas plasmáticas e células inflamatórias extravasam para a câmara anterior. A fibrina se deposita na borda pupilar, formando uma ponte entre a íris e a cápsula anterior do cristalino. Se a inflamação persistir, ocorre organização fibrosa, formando sinéquias irreversíveis.

Progressão de sinéquia posterior para glaucoma secundário

Seção intitulada “Progressão de sinéquia posterior para glaucoma secundário”

Quando a sinéquia posterior se torna circunferencial, ocorre a seguinte reação em cadeia:

  1. Bloqueio pupilar: O fluxo de humor aquoso da câmara posterior para a anterior é bloqueado.
  2. Aumento da pressão na câmara posterior: O humor aquoso se acumula na câmara posterior, elevando a pressão.
  3. Íris em bombé (iris bombé): A íris se projeta anteriormente devido à pressão da câmara posterior.
  4. Oclusão angular: A íris abaulada comprime a estrutura angular, levando à formação de sinéquia anterior periférica.
  5. Crise aguda de glaucoma: Aumento rápido da pressão intraocular.

A condição em que toda a circunferência de 360 graus da borda pupilar está aderida é chamada de seclusão pupilar (seclusio pupillae).

Mecanismo de formação da sinéquia anterior periférica da íris

Seção intitulada “Mecanismo de formação da sinéquia anterior periférica da íris”

Existem múltiplos mecanismos de formação da sinéquia anterior periférica da íris.

  • Inflamatório: Células inflamatórias e proteínas na câmara anterior na uveíte formam aderências entre a íris e a parede do ângulo 2). Deixam sinéquias anteriores periféricas em forma de tenda após a regressão dos nódulos do ângulo.
  • Mecanismo de empurrão posterior: Edema do corpo ciliar ou intumescência do cristalino empurram a íris para frente, fazendo-a contactar e aderir à malha trabecular.
  • Neovascular : A membrana fibrovascular se estende para o ângulo, e a contração traciona a íris, causando aderência2).

Mecanismos diversos de elevação da pressão intraocular

Seção intitulada “Mecanismos diversos de elevação da pressão intraocular”

A elevação da pressão intraocular associada à uveíte ocorre em cerca de 20% dos pacientes, com mecanismos variados2). Tanto mecanismos de ângulo aberto quanto de ângulo fechado estão envolvidos.

MecanismoClassificação
Obstrução da malha trabecularÂngulo aberto
TrabeculiteÂngulo aberto
Nódulo do ânguloÂngulo aberto
Sinéquia anterior periféricaÂngulo fechado
Sinéquias posteriores da íris e bloqueio pupilarÂngulo fechado
NeovascularizaçãoÂngulo fechado
Efeito de esteroidesÂngulo aberto

Como os planos de tratamento diferem, é importante observar o ângulo adequadamente e estimar o mecanismo de aumento da pressão intraocular.


7. Pesquisas Recentes e Perspectivas Futuras (Relatórios em Fase de Pesquisa)

Seção intitulada “7. Pesquisas Recentes e Perspectivas Futuras (Relatórios em Fase de Pesquisa)”

Como a sinéquia da íris não é uma doença independente, mas sim uma complicação da uveíte, a pesquisa é conduzida principalmente no contexto do tratamento anti-inflamatório da uveíte e do glaucoma.

Resultados de longo prazo da cirurgia de derivação tubular (como a válvula de Ahmed) para glaucoma uveítico foram relatados, e o controle da pressão intraocular foi alcançado com a colocação do tubo no grupo uveíte 2). No entanto, há indicação de que a remoção devido à exposição do tubo foi significativamente mais frequente no grupo uveíte, necessitando de acompanhamento pós-operatório cuidadoso.

Além disso, com o avanço dos dispositivos de análise de imagem do segmento anterior, como a OCT de segmento anterior e o microscópio ultrassônico biomicroscópico (UBM), tornou-se possível a avaliação quantitativa das sinéquias anteriores periféricas e o diagnóstico objetivo do bloqueio pupilar. Essas técnicas de imagem não substituem completamente a gonioscopia, mas são esperadas como úteis como ferramentas de avaliação auxiliares.


  1. Cann M, Ramanan AV, Crawford A, et al. Outcomes of non-infectious Paediatric uveitis in the era of biologic therapy. Pediatr Rheumatol Online J. 2018;16(1):51. doi:10.1186/s12969-018-0266-5. PMID:30081917; PMCID:PMC6080499.
  2. Bodh SA, et al. Inflammatory glaucoma. Oman J Ophthalmol. 2011;4(1):3-9.
  3. 日本緑内障学会. 緑内障診療ガイドライン(第5版). 日眼会誌. 2022;126:85-177.

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