A Epiteliopatia Pigmentar Placóide Multifocal Posterior Aguda (APMPPE) é uma coriorretinite inflamatória que causa lesões escamosas múltiplas ao nível do epitélio pigmentar da retina no polo posterior. Foi descrita pela primeira vez por J. Donald Gass em 1968. É classificada como uma das síndromes de pontos brancos. 11)
A incidência é estimada em 0,15 por 100.000. 3) Ocorre frequentemente entre 20-40 anos (média 25 anos), sem diferença entre sexos. Geralmente bilateral, e em casos unilaterais, as lesões frequentemente aparecem no olho contralateral em dias a semanas. 3)
A doença é autolimitada e se resolve espontaneamente em 4-8 semanas. O prognóstico visual é geralmente bom, mas em casos com envolvimento foveal, a acuidade visual pode cair abaixo de 20/25 segundo alguns relatos. 7) Após a resolução das lesões, pode haver atrofia do EPR ou depósitos de pigmento. Recorrências são raras, e se persistir ou recorrer por mais de 6 meses, considerar transição para Coriorretinite Placóide Incansável. 7)
QAPMPPE apresenta risco de cegueira?
A
A maioria se cura espontaneamente com acuidade visual final de 20/25 ou melhor. No entanto, o prognóstico pode ser ruim se houver envolvimento foveal ou vasculite cerebral associada. Raramente, pode ocorrer neovascularização coroidal levando à perda visual. 11)
Queda aguda da visão: varia de 20/40 a conta dedos, dependendo do envolvimento da fóvea.
Escotoma central ou paracentral: defeitos de campo visual correspondentes às lesões do polo posterior. 11)
Fotopsias: sensações luminosas anormais devido à inflamação do EPR e retina externa. 11)
Metamorfopsia e micropsia: distorção ou redução da visão devido a lesões maculares.
Visão turva: percebida como uma diminuição difusa da função visual.
Cefaleia e sintomas prodrômicos gripais: presentes em 40-50% dos casos antes do início. 6)
Os sintomas são geralmente bilaterais, mas assimétricos, surgindo ao longo de vários dias. Cerca de 33% dos casos apresentam sintomas prodrômicos de infecção viral semelhante à gripe.
No nível do EPR do polo posterior, surgem lesões escamosas múltiplas de cor creme a branco-acinzentadas. O tamanho das lesões varia de 1/4 a 2 diâmetros de papila, com bordas relativamente nítidas.
Lesões ativas
Lesões escamosas: lesões escamosas múltiplas de cor creme a branco-acinzentadas no nível do EPR do polo posterior, com 1-2 diâmetros de papila. 11)
Vitrite leve: cerca de 50% dos casos apresentam opacidade vítrea leve. Pode estar associada a uveíte anterior.
Papilite: 14 casos de papilite foram relatados na literatura. 1)
Resolução e Achados Atípicos
Atrofia do EPR e Pigmentação: A lesão resolve em 1-2 semanas e transita para atrofia do EPR e pigmentação.
Descolamento Seroso da Retina: Raro, mas relatado. Se bilateral, é considerado atípico. 2)
Novas lesões podem aparecer na periferia até 3 semanas após o início. Há um período em que lesões antigas em transição para atrofia do EPR e pigmentação se misturam com lesões escamosas frescas. A reação vítrea é geralmente mínima ou ausente. 1) O edema macular cistóide é raro.
A causa da APMPPE não é definitiva. Cerca de 33% dos casos apresentam sintomas prodrômicos de infecção viral, sugerindo que a infecção viral pode ser um gatilho.
Infecções: Adenovírus tipo 5, vírus Coxsackie B, influenza, hepatite B, doença de Lyme, caxumba, tuberculose, EBV. O primeiro caso foi relatado após infecção por EBV. 10)
Pós-infecção por COVID-19: Vários casos relatados após infecção por SARS-CoV-2. 9)
Pós-vacinação com mRNA COVID-19: Muitos relatos de casos após vacinação. 1)7)
Sabe-se que está associado a eritema nodoso, sarcoidose, granulomatose com poliangiite, poliarterite nodosa, esclerite, tireoidite, nefrite, colite ulcerativa e vasculite do SNC.
Foram relatadas associações com HLA-B7 e HLA-DR2. 6) Também foram relatadas novas associações com HLA-B15 e HLA-B35. 5)
QAPMPPE pode ocorrer após a vacinação?
A
Há relatos de ocorrência de APMPPE após vacinação com várias vacinas, incluindo a vacina COVID-19. 1)7) A ativação do sistema imunológico pode desencadear inflamação coroidal, mas a relação causal não está confirmada. Se você notar alterações na visão após a vacinação, é recomendável consultar um oftalmologista.
Imagem de Epiteliopatia Pigmentar Placóide Multifocal Posterior Aguda
Konstantinos Flindris; Chrysa Chatzipetrou; Eleni Papafotiou; Athanasios Kaliardas; Ioannis Koumpoulis; Ioannis Melissourgos. Unmasking Acute Posterior Multifocal Placoid Pigment Epitheliopathy (APMPPE) Through Multimodal Imaging: A Case Report. Cureus.; 17(6):e86860 Published 2025. Figure 5. PMCID: PMC12296294. License: CC BY.
Angiografia por tomografia de coerência óptica (OCTA) do olho direito (OD) na apresentação, revelando múltiplas áreas irregulares de redução de fluxo (flow voids) ao nível da coriocapilar correspondentes às lesões placóides
O diagnóstico é baseado nos sintomas clínicos e achados de fundo de olho. A imagem multimodal é útil para entender a condição e o acompanhamento.
Angiografia Fluoresceínica (FA): Na fase ativa, mostra hipofluorescência precoce (hipoperfusão ou bloqueio dos capilares coroidais) e, na fase tardia, transforma-se em hiperfluorescência irregular, o fenômeno de “inversão da fluorescência” característico da APMPPE. 11) Na fase de resolução, permanece como defeito em janela (window defect por despigmentação).
Angiografia com Verde de Indocianina (ICGA): Mostra hipofluorescência do início ao fim. Isso contrasta com a FA e reflete o distúrbio de perfusão ao nível dos capilares coroidais. 11)
OCT (Tomografia de Coerência Óptica): Na fase ativa, observa-se uma reflectividade alta que se estende da camada plexiforme externa ao EPR, e o desaparecimento da zona elipsoide (EZ) sugere envolvimento foveal e diminuição da acuidade visual. 11) Espessamento coroidal também é observado. 5) A classificação OCT de Goldenberg divide em 4 estágios (Estágio 1: elevação em cúpula + destruição da EZ, Estágio 2: separação da EZ e EPR, Estágio 3: hiperrefletividade do EPR + fusão EZ/EPR, Estágio 4: fase de resolução). 2)
OCTA (Angiografia por Tomografia de Coerência Óptica): Pode detectar defeitos de fluxo sanguíneo nos capilares coroidais. 11) A recuperação da densidade vascular com o tratamento tem sido relatada. 5)
Autofluorescência de Fundo (FAF): Na fase ativa, mostra hiperautofluorescência refletindo disfunção do EPR, e após a formação de cicatriz, torna-se hipoautofluorescência devido à perda de células do EPR. A mudança de hiper para hipoautofluorescência é um indicador de formação de cicatriz. 8) Lesões hiperautofluorescentes na mácula podem indicar necessidade de terapia intensiva. 8) A FAF é considerada superior à ICGA e OCT na diferenciação de lesões antigas e novas. 8)
Eletrorretinografia (ERG): Na fase ativa, observa-se diminuição da amplitude, que melhora com o tratamento. 5)
Mais de 50 lesões, anteriores e posteriores ao equador
Crônico persistente e recidivante
Coroidopatia Serpiginosa
Do disco para fora centrifugamente
Crônico progressivo e recidivante
Doença de Harada
Descolamento exsudativo da retina
Sintomas sistêmicos / vazamento múltiplo
Outros diagnósticos diferenciais incluem a síndrome dos pontos brancos evanescentes múltiplos (MEWDS). A MEWDS é mais comum em mulheres jovens, com pontos brancos distribuídos extensamente até a região equatorial, e mostra hiperfluorescência precoce na angiografia fluoresceínica, diferindo da APMPPE. A coroidite geográfica ocorre mais frequentemente na quarta década de vida, é unilateral e mostra tendência à progressão e coalescência. 11)
QQuais exames são necessários para o diagnóstico de APMPPE?
A
Os sintomas clínicos e o exame de fundo de olho são a base. A angiografia fluoresceínica (fenômeno de inversão do enchimento) é um achado característico e útil para o diagnóstico. A combinação de imagem multimodal (OCT, OCTA, FAF, ICG) melhora a compreensão da patologia e a precisão do acompanhamento. No diagnóstico inicial, a exclusão de vasculite do SNC com RM/ARM também é importante. 4)
A APMPPE é uma doença autolimitada, e não há consenso estabelecido sobre indicação e método de tratamento. Em casos com boa acuidade visual e sem envolvimento foveal, a observação sem tratamento é uma opção. 10) Em casos com envolvimento foveal, casos graves ou com vasculite cerebral, o tratamento com corticosteroides é recomendado.
Prednisolona: 0,5 mg/kg/dia com redução gradual. Recomendado em casos com envolvimento foveal. Comprimidos de Predonina (5 mg) iniciando com 30 mg/dia com redução gradual (2 semanas a 1 mês).
Metilprednisolona: Um protocolo de 0,8 mg/kg/dia com redução gradual por 7 semanas foi relatado. 5)
Pulsoterapia com corticosteroides
Infusão de metilprednisolona: 1.000 mg/dia por 3 dias como pulsoterapia intravenosa, seguida de prednisolona oral 60 mg com redução gradual. Usado em casos graves e com vasculite cerebral. 2)7)
Injeção retrobulbar e sub-Tenon: Relatos de injeção retrobulbar de triancinolona 20 mg + dexametasona 6 mg e injeção sub-Tenon de triancinolona 40 mg. 1)8)
Terapia Imunossupressora
Casos com vasculite cerebral: Relatos de uso de rituximabe 375 mg/m² (1x/semana por 4 semanas), micofenolato mofetil 1.000 mg 2x/dia. 4)
Imunossupressão de longo prazo: Azatioprina ou manutenção de esteroides por 4 meses ou mais é recomendada em casos com vasculite cerebral. 6)
A maioria atinge acuidade visual final de 20/25 ou melhor. Muitos se recuperam em 4 semanas, alguns necessitam de observação por até 6 meses. Envolvimento da fóvea é um importante fator prognóstico ruim. Escotomas permanentes ou alterações na visão de cores podem persistir após o tratamento. 5) Possibilidade de diminuição da acuidade visual devido à neovascularização coroidal. 11)
QO tratamento com esteroides é necessário para APMPPE?
A
APMPPE é uma doença autolimitada e não há consenso terapêutico. Em casos com boa acuidade visual e sem envolvimento da fóvea, a recuperação espontânea sem tratamento é frequente. 10) Em casos com envolvimento da fóvea ou vasculite cerebral, o tratamento com esteroides é recomendado. A conduta terapêutica é decidida caso a caso.
A teoria mais aceita atualmente é a vasculite oclusiva por reação de hipersensibilidade tardia (alergia tipo IV) nas arteríolas aferentes da lâmina coriocapilar. Há envolvimento primário da lâmina coriocapilar, e o dano ao EPR e à retina externa é secundário. 11) A OCTA confirma que as alterações da retina externa colocalizam com defeitos de fluxo sanguíneo na lâmina coriocapilar, apoiando essa hipótese. 11)
Esse mecanismo é entendido como uma evolução gradual: vasculite oclusiva → isquemia da lâmina coriocapilar → hipoperfusão do EPR/fotorreceptores. No passado, acreditava-se em inflamação primária do EPR e retina externa, mas agora é considerada lesão secundária.
Como mecanismo de APMPPE pós-infecção por COVID-19, propõe-se a via: receptores ACE-2 expressos na camada de células ganglionares da retina, camada plexiforme interna, camada nuclear interna e segmento externo dos fotorreceptores; RNA de SARS-CoV-2 detectado em biópsias de retina de pacientes falecidos; sugerindo infecção direta ou mimetismo molecular → hiperinflamação vascular → tromboembolismo → redução da perfusão coroidal. 9)
O EBV pode infectar diretamente as células do EPR como reservatório, ou induzir inflamação autoimune. A ativação de linfócitos T e o envolvimento de reação de hipersensibilidade tipo IV também foram apontados. 10)
Teoria da Infecção Neurotrópica Direta (Teoria de Steptoe)
Em alguns casos, propõe-se que a infecção neurotrópica direta cause alterações na CFNR que precedem as alterações da retina externa. No entanto, atualmente não é a teoria principal.
QA causa da APMPPE foi elucidada?
A
Não confirmado. A vasculite oclusiva da lâmina coriocapilar é a teoria dominante atualmente, e acredita-se que o EPR seja danificado secundariamente. 11) Infecção viral ou ativação imunológica podem desencadear uma reação de hipersensibilidade tardia (tipo IV). Mecanismos relacionados à infecção e vacina contra COVID-19 também estão sendo estudados. 9)
7. Pesquisas Recentes e Perspectivas Futuras (Relatos em Fase de Pesquisa)
A OCTA pode quantificar de forma não invasiva os déficits de fluxo sanguíneo na lâmina coriocapilar, tornando-se o padrão-ouro diagnóstico. 5) É possível monitorar mudanças na densidade vascular durante o tratamento (na admissão → após 5 semanas).
Sarna et al. (2025) relataram correlação entre a recuperação da densidade de fluxo sanguíneo da lâmina coriocapilar e a melhora da função visual usando avaliação sequencial com OCTA e FAF em casos de acompanhamento de longo prazo. 5)
Lesões hiperfluorescentes na FAF estão sendo notadas como novos indicadores de eficácia do tratamento e risco de cicatrização. 8)
Yokoi et al. (2022) mostraram que a FAF é superior à ICGA e OCT na discriminação de lesões antigas e novas, e relataram sua utilidade no monitoramento do tratamento. 8)
Associações com HLA-B15 e HLA-B35 foram recentemente relatadas, e a compreensão da predisposição genética está avançando. 5) A identificação de genótipos de risco além dos conhecidos HLA-B7 e HLA-DR2 pode contribuir para a predição do início e compreensão da patogênese. 6)
Acúmulo de Casos de APMPPE Relacionados à COVID-19
Relatos de casos de APMPPE após infecção por COVID-19 e vacinação com mRNA estão aumentando, e a compreensão dos mecanismos via mimetismo molecular e complexos imunes está avançando. 2)7)9)
Terapia Imunomoduladora para Casos com Vasculite Cerebral
A eficácia de medicamentos imunomoduladores como rituximabe e micofenolato de mofetila em casos graves de vasculite cerebral tem sido acumulada em relatos de casos. 4) Mais pesquisas são necessárias para estabelecer evidências.
Beketova TR, Snyder K, Jiang A, Josephberg RG. Acute Posterior Multifocal Placoid Pigment Epitheliopathy With Associated Papillitis. Cureus. 2023;15(2):e35499.
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