A rotura do epitélio pigmentar da retina (rotura do EPR) é uma condição em que o EPR se rasga abruptamente numa área com descolamento do epitélio pigmentar (DEP), contraindo-se e expondo a membrana de Bruch e a coroide. Foi descrita pela primeira vez por Hoskin et al. em 1981.
O descolamento do epitélio pigmentar da retina é uma condição em que a membrana basal do EPR e a camada de fibras colágenas da membrana de Bruch se separam devido a exsudato ou sangue. Nas áreas onde ocorre a ruptura do EPR, os fotorreceptores não conseguem sobreviver, resultando em anormalidades na função visual.
Oftalmoscopicamente, é observada como uma lesão marrom-avermelhada em forma de meia-lua ou crescente.
Principais causas e incidência:
Degeneração macular relacionada à idade neovascular: causa mais comum. Incidência no curso natural é de 10 a 12,5%; após injeção anti-VEGF, é de 14 a 19,7%.
Corioretinopatia Serosa Central (CSC) / Coroidopatia Vascular Polipoidal (PCV): Pode ocorrer quando acompanhada de descolamento do epitélio pigmentar
Hipotonia ocular após cirurgia filtrante de glaucoma: Causa extremamente rara por mecanismo de distúrbio circulatório coroidal1)
QA ruptura do EPR pode ocorrer em outras condições além da degeneração macular relacionada à idade?
A
Pode ocorrer. Além da coriorretinopatia serosa central (CSC), polipoidal coroidal vasculopathy (PCV), miopia patológica e tumores coroidais, também foram relatados casos raros decorrentes de hipotonia após cirurgia de filtração para glaucoma1). Qualquer condição associada a descolamento do epitélio pigmentar representa um risco potencial.
Redução da acuidade visual central: A diminuição súbita e acentuada da visão é o sintoma inicial mais comum. A gravidade depende do tamanho e da localização da ruptura.
No exame de fundo de olho com midríase, observam-se áreas de RPE contraídas e sobrepostas e fundo despigmentado com coroide exposta. A forma mais típica é a de meia-lua.
Enrolamento da borda do RPE: a margem do RPE no local da ruptura se contrai e eleva em forma de rolo
Aumento da transparência na área de defeito do RPE: a lâmina coriocapilar é observada claramente
Associação de descolamento seroso da retina: devido à ruptura da barreira do RPE, líquido pode se acumular no espaço sub-retiniano
Takemoto et al. (2023) relataram um caso de ruptura do EPR após cirurgia de filtração Ex-PRESS para glaucoma1). No 13º dia pós-operatório, foi confirmada uma ruptura do EPR ao longo dos vasos do arco superior e um descolamento bolhoso da retina inferior. Após 12 meses, a ruptura do EPR persistia, juntamente com pregas retinianas tracionais devido a tecido proliferativo sub-retiniano.
QQual é o exame mais útil para o diagnóstico?
A
A OCT é a mais útil. Ela pode demonstrar claramente a descontinuidade da banda do EPR, o enrolamento da borda livre do EPR (scroll) e o defeito de janela na área de perda. A combinação com AF e AF pode avaliar mais detalhadamente a extensão e a atividade da ruptura. Consulte a seção “Diagnóstico e Métodos de Exame” para detalhes.
O principal mecanismo de formação de uma ruptura do EPR é dividido em dois tipos.
Ruptura por aumento da pressão hidrostática dentro do descolamento do epitélio pigmentar: O líquido acumulado no descolamento do epitélio pigmentar aumenta a pressão, causando a ruptura do EPR no ponto mais frágil (teoria de Bird).
Tração por contração da membrana neovascular abaixo do EPR: A neovascularização coroidal tipo 1 (CNV) traciona o EPR, formando uma ruptura.
Como mecanismo especial após cirurgia de filtração para glaucoma, foi relatada uma sequência de queda excessiva da pressão intraocular → distúrbio circulatório coroidal → acúmulo de líquido no espaço supracoroideano → estiramento e ruptura mecânica do EPR 1).
As características morfológicas do descolamento do epitélio pigmentar e os fatores sistêmicos constituem os principais riscos.
Altura vertical do descolamento do epitélio pigmentar: >550 μm pelo critério de Sarraf, >400 μm pelo critério de Chan são limiares de risco.
Área superficial e diâmetro linear do descolamento do epitélio pigmentar: quanto maior, maior o risco
Curta duração do descolamento do epitélio pigmentar: o risco de ruptura é maior quando os neovasos são imaturos
Presença de doença aterosclerótica sistêmica: afeta a circulação coroidal e aumenta a vulnerabilidade do EPR1)
Histórico de neuropatia óptica isquêmica: distúrbios circulatórios nas artérias ciliares posteriores curtas contribuem para a vulnerabilidade do EPR1)
QA injeção anti-VEGF aumenta o risco de ruptura do EPR?
A
Pode aumentar. Enquanto a incidência no curso natural é de 10 a 12,5%, após a injeção anti-VEGF é relatada como 14 a 19,7%. O risco aumenta especialmente quando a altura vertical do descolamento do epitélio pigmentar excede 550 μm. No entanto, o risco de interromper o tratamento anti-VEGF geralmente é maior, e a continuação é a conduta básica.
Cada modalidade fornece informações complementares. Uma avaliação abrangente combinando múltiplos exames é importante.
OCT
Descontinuidade da banda RPE: A banda hiperrefletiva do EPR é interrompida, permitindo identificar as bordas da ruptura.
Rolamento (contração em rolo): Achado característico de elevação ondulada da borda livre do EPR.
Defeito em janela: Área hiporrefletente onde a coroide é visível através da falha do EPR.
AF・AF de autofluorescência
AF: Hiperfluorescência acentuada na área da rotura do EPR. Hipfluorescência por bloqueio na área de rolamento.
FAF: A área da rotura do EPR apresenta baixa autofluorescência. A parte enrolada adjacente mostra alta autofluorescência.
IA (indocianina): Na área da rotura do EPR, os vasos coroidais são claramente visualizados.
No caso de Takemoto et al. (2023), foi confirmado um defeito em janela (FA) correspondente ao local da rotura do EPR, e na FAF após 12 meses, observou-se hipofluorescência persistente na área da rotura do EPR1).
Degenerescência macular relacionada à idade neovascular
Continuação do tratamento anti-VEGF: Recomenda-se continuar mesmo após a ocorrência de rotura do EPR. Não há relatos de piora com o tratamento.
Pequenas roturas: As células do EPR podem recobrir a área, resultando em recuperação parcial da função visual.
Grandes roturas (não tratadas): Há maior tendência à formação de placa fibrosa sub-retiniana e cicatriz.
Pós-cirurgia de glaucoma
Aumento da pressão intraocular é a base do tratamento: como a causa é a queda excessiva da pressão intraocular, deve-se retornar a pressão à faixa adequada1).
Sutura transescleral do retalho escleral: aumenta a pressão intraocular e melhora o descolamento seroso da retina1).
Sutura adicional + injeção de substância viscoelástica na câmara anterior: procedimento auxiliar para estabilização da pressão intraocular1).
CNV + descolamento do epitélio pigmentar
Avaliação da atividade da CNV: Determinar se o mecanismo de formação da ruptura do EPR é contração da CNV ou pressão hidrostática.
Considerações para casos de alto risco: Pode-se considerar terapia com meia dose ou uso concomitante de triancinolona.
No caso de Takemoto et al. (2023), após estabilização da pressão intraocular para 12–15 mmHg, a retina reposicionou-se e a acuidade visual após 12 meses foi de 0,31). O longo intervalo entre o início da ruptura do EPR e o tratamento para elevação da PIO foi considerado um fator que contribuiu para a persistência de alterações tracionais.
O prognóstico é previsto pelo tamanho do rasgo e envolvimento foveal.
Grau
Diâmetro do rasgo
Prognóstico visual
Grau 1
<200μm
Bom
Grau 2
200μm a 1 diâmetro papilar
Relativamente bom
Grau 3
>1 diâmetro do disco óptico
Moderado
Grau 4
>1 diâmetro do disco óptico + fóvea
Ruim
QSe ocorrer uma ruptura do EPR, a visão se recupera?
A
O tamanho da ruptura e o envolvimento da fóvea são fundamentais. Em pequenas rupturas Sarraf Grau 1-2, as células do EPR podem recobrir a área, resultando em recuperação parcial da função visual. Por outro lado, no Grau 4 (diâmetro da ruptura >1 diâmetro do disco óptico e envolvimento foveal), o prognóstico visual é ruim. Consulte a seção “Classificação de Sarraf” para detalhes.
6. Fisiopatologia e Mecanismo Detalhado de Desenvolvimento
O líquido exsudativo acumulado dentro do descolamento do epitélio pigmentar aumenta a pressão hidrostática, causando ruptura no ponto mais frágil do EPR. Uma vez rompido, o EPR sofre contração elástica, resultando em enrolamento (contração em espiral).
No caso relatado por Takemoto et al. (2023), foi inferida a seguinte cascata 1): hipotonia → distúrbio circulatório coroidal → acúmulo de líquido no espaço supracoroidal → elevação da retina e coroide em direção ao vítreo → estiramento e ruptura mecânica do EPR → disfunção da barreira do EPR → descolamento seroso da retina devido ao movimento de líquido.
Acredita-se que o distúrbio circulatório das artérias ciliares posteriores curtas (ACPC) devido à arteriosclerose predispõe à neuropatia óptica isquêmica e, ao mesmo tempo, prejudica a função de barreira do EPR através da isquemia coroidal, aumentando a vulnerabilidade ao estiramento mecânico1).
Tipos e segurança dos anti-VEGF: Atualmente, não há consenso sobre se existe uma diferença definitiva na incidência de rupturas do EPR entre medicamentos específicos.
Terapia com meia dose e associação com triancinolona: Estão sendo estudadas como medidas preventivas de rupturas em descolamentos do epitélio pigmentar de alto risco, mas ainda não se tornaram tratamento padrão estabelecido.
Tratamento de rupturas do EPR após cirurgia de glaucoma: Por ser uma condição extremamente rara, não existe um protocolo de tratamento estabelecido, sendo necessário manejo caso a caso1).
Associação entre arteriosclerose e risco de ruptura do EPR: Sugere-se que possa aumentar a vulnerabilidade do EPR por meio de isquemia coroidal, mas atualmente isso permanece apenas uma hipótese1).
Takemoto M, Kitamura Y, Kakisu M, Shimizu D, Baba T. Retinal pigment epithelial tears after Ex-PRESS filtration surgery in a glaucoma patient with a history of ischemic optic neuropathy. Case Rep Ophthalmol Med. 2023;2023:6645156.
Matsubara N, Kato A, Kominami A, Nozaki M, Yasukawa T, Yoshida M, et al. Bilateral giant retinal pigment epithelial tears in hypertensive choroidopathy. Am J Ophthalmol Case Rep. 2019;15:100525. PMID: 31388604.
Barkmeier AJ, Carvounis PE. Retinal pigment epithelial tears and the management of exudative age-related macular degeneration. Semin Ophthalmol. 2011;26(3):94-103. PMID: 21609221.
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