Distribuição da Lesão
Predomínio temporal: Mais de 75% das lesões ocorrem na periferia temporal do fundo. A proporção temporal:nasal é relatada como 31:14 1).
Localização periférica: A lesão se forma no lado periférico do equador.
A Coriorretinopatia Exsudativa Hemorrágica Periférica (PEHCR) é uma doença que causa lesões exsudativas e hemorrágicas na retina periférica e coroide em idosos. O conceito da doença foi estabelecido por Annseley em 1980, quando relatou os primeiros 27 casos1).
Esta doença foi tratada por muito tempo como uma entidade independente, mas nos últimos anos vem sendo reclassificada como parte do espectro paquicoroide4). Compartilha fisiopatologia semelhante à degeneração macular relacionada à idade (DMRI) e à vasculopatia coroidal polipoidal (VCP).
Epidemiologicamente, afeta mais idosos e, devido ao curso lento, muitas vezes é descoberta após já ter formado uma lesão grande. Por formar lesões elevadas semelhantes a tumores pigmentados, há risco de diagnóstico errôneo como melanoma de coroide, tornando a diferenciação o desafio clínico mais importante2).
Os casos relatados ainda são poucos, com 27 casos descritos por Annesley em 19801). Embora seja uma doença rara, acredita-se que existam casos assintomáticos não detectados.
A maioria dos casos de PEHCR é assintomática, sendo frequentemente descoberta incidentalmente durante exames de rotina ou investigação de outras doenças 2).
Hemorragia vítrea (HV) está presente em 25-100% dos casos 1). Sangramento intenso pode dificultar a observação do fundo.
Distribuição da Lesão
Predomínio temporal: Mais de 75% das lesões ocorrem na periferia temporal do fundo. A proporção temporal:nasal é relatada como 31:14 1).
Localização periférica: A lesão se forma no lado periférico do equador.
Morfologia da Lesão
Elevação hemorrágica/exsudativa: Lesão subcoroidal ou sub-RPE contendo sangue ou exsudato, elevada, de coloração branca a amarelo-alaranjada 2).
Ruptura serpiginosa do EPR: Uma ruptura característica e sinuosa do EPR pode se formar devido à tração do tecido fibrovascular 3).
Na maioria dos casos é unilateral, mas casos bilaterais também foram relatados. Se descoberto em um olho, o exame do olho contralateral também é importante.
O mecanismo de desenvolvimento do PEHCR não é completamente compreendido, mas acredita-se que a degeneração coroidal periférica relacionada à idade seja a base 2).
O diagnóstico diferencial mais importante no diagnóstico de PEHCR é o melanoma de coroide. Devido à aparência semelhante de uma lesão pigmentada elevada, um exame detalhado combinando múltiplas modalidades é indispensável 3).
Este exame desempenha um papel central na diferenciação entre PEHCR e melanoma.
Os três pontos a seguir são os principais achados para diferenciar PEHCR de melanoma 3):
| Achado | PEHCR | Melanoma |
|---|---|---|
| Escavação coroidal | Negativo | Positivo |
| Pulsação da massa | Negativo | Positivo |
| Eco interno | Com lacunas | Homogêneo, baixa intensidade |
A ausência de escavação coroidal (choroidal excavation) e o eco de espaço interno são considerados característicos de PEHCR 3). O pulso intratumoral típico do melanoma também não é observado na PEHCR 3).
Podem ser observados padrão paquicoroide (dilatação dos grandes vasos coroidais e atrofia da coroide interna) e lesões polipoides periféricas 3). Esse achado é importante para apoiar a presença de lesões periféricas semelhantes à PCV.
É utilizada para avaliar padrões de exsudação e vazamento, e para comparação com degeneração macular relacionada à idade e PCV.
O exame ultrassonográfico modo B é o mais importante, verificando a presença ou ausência de escavação coroidal e pulso intratumoral 3). O padrão paquicoroide na ICGA e o acúmulo de líquido sub-RPE e alterações fibrovasculares na OCT também apoiam PEHCR. Em casos difíceis, recomenda-se avaliação em centro especializado.
Não há tratamento padrão estabelecido para PEHCR, e como muitos casos mostram tendência à regressão espontânea, a observação é a base 2).
Observação
Regressão espontânea: Muitos casos mostram tendência à redução ou desaparecimento espontâneo da lesão. O exame de fundo de olho e a avaliação por imagem são continuados regularmente 2).
Terapia Medicamentosa
Terapia anti-VEGF: Realizada em casos com atividade confirmada de CNV. Administrada como injeção intravítrea no vítreo 1).
Terapia Fotodinâmica (PDT): Realizada para anormalidades vasculares coroidais e lesões polipoides 1, 3).
Tratamento Cirúrgico
Drenagem Transescleral: Opção cirúrgica para hemorragia maciça sub-retiniana e sub-EPR 1).
Vitrectomia: Abordagem recente relatada para casos refratários 2).
Procedimento cirúrgico relatado para casos de lesões hemorrágicas maciças que causam perda de visão.
Kuraishi T et al. (2024) realizaram drenagem transescleral em um paciente com PCV e PEHCR (homem de 70 anos) após PPV 25G, perfurando a coroide com laser de argônio (200 mW) 11 mm posterior ao limbo corneano e drenando o líquido sob pressão de IOP 25 mmHg 1). A técnica envolveu mover a hemorragia do polo posterior para a periferia com líquido perfluorocarbono (PFCL), depois drenagem através da perfuração coroidal, finalizando com tamponamento de gás C3F8.
Técnica cirúrgica que visa a remoção direta do tecido fibrovascular sub-retiniano, relatada recentemente.
Kase S et al. (2025) realizaram a primeira vitrectomia com PPV 25G em uma mulher de 76 anos 2). Após capsulotomia posterior, foram realizados diatermia e remoção do tecido com pinça, e o exame patológico pós-operatório contribuiu para a compreensão da fisiopatologia da doença.
Acredita-se que a patologia fundamental da PEHCR seja o CNV tipo 1 periférico (neovascularização coroidal tipo 1 periférica).
Kase S et al. (2025) realizaram coloração imuno-histoquímica de tecido excisado e confirmaram células RPE positivas para AE1/AE3 e componentes da parede vascular positivos para CD34 e α-SMA 2). Isso provou pela primeira vez a existência de CNV tipo 1 periférico na PEHCR histopatologicamente.
O CNV tipo 1 forma-se sob o RPE e cresce de forma latente sem destruir o RPE. Na periferia, o líquido e o sangue extravasados desses novos vasos acumulam-se sob o RPE e sub-retinianamente, formando uma lesão elevada 2).
Quando a diferença de pressão transluminal (transluminal pressure difference) na coroide periférica aumenta, a hemorragia dos novos vasos frágeis torna-se mais provável 2). O uso de anticoagulantes é suspeito de amplificar essa tendência hemorrágica.
Acredita-se que a PEHCR tenha um fundo patológico de paquicoroide e está posicionada no seguinte espectro 4).
| Doença | Característica | Localização |
|---|---|---|
| CSC | Acúmulo de líquido sub-RPE | Mácula |
| PCV | Anomalia vascular polipoide | Mácula ao polo posterior |
| PEHCR | CNV periférica e hemorragia | Parte periférica |
Na paquicoroide, os grandes vasos coroidais (camada de Haller) dilatam-se e as camadas coroidais internas (camada de Sattler e lâmina capilar coroidal) atrofiam. Acredita-se que essa alteração leve à isquemia das camadas internas e estresse no EPR, promovendo a formação de CNV4).
No caso de Maitray A et al. (2021), a ICGA confirmou a presença de paquivasos e pólipos periféricos3), achados que apoiam a associação entre paquicoroide e PEHCR.
A ruptura serpiginosa do EPR é um achado característico da PEHCR. Acredita-se que a tração pelo tecido fibrovascular e o aumento da pressão do líquido sub-EPR atuem em conjunto para romper o EPR3). A presença de lesões polipoides na ICGA pode estar envolvida na formação dessa ruptura3).
O relatório de Kase S et al. (2025) é o primeiro registro mundial de vitrectomia intravítrea para PEHCR, e também é o primeiro artigo a demonstrar histologicamente CNV tipo 1 periférica usando tecido extraído 2). A imuno-coloração para AE1/AE3, CD34 e α-SMA confirmou células RPE e paredes de novos vasos, fornecendo novos insights para a compreensão da doença.
Para casos refratários com hemorragia maciça sub-RPE e sub-retiniana, a drenagem transescleral está sendo posicionada como um meio eficaz de recuperação da função visual 1). A padronização da técnica de drenagem por punção coroidal a laser de argônio combinada com PPV é um desafio futuro.
Maitray A et al. (2021) sugeriu que a rotura serpiginosa da RPE se origina de tecido fibrovascular 3), e enfatizou o papel do componente fibrovascular nas lesões de PEHCR. Essa descoberta pode influenciar futuras decisões sobre terapia anti-VEGF e PDT.
Shroff D et al. (2021) classificou PEHCR como um tipo periférico do espectro paquicoroide 4). Se essa classificação for estabelecida, estratégias terapêuticas comuns (anti-VEGF e PDT) com degeneração macular relacionada à idade e PCV poderão ser aplicadas sistematicamente, contribuindo para a construção de evidências terapêuticas.
Recomenda-se o tratamento em instalações oftalmológicas especializadas em doenças da retina e coroide. Devido à necessidade de ampla experiência na diferenciação de melanoma, a consulta a instalações especializadas em tumores oculares pode ser útil em alguns casos.