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Retina e vítreo

Estrutura Tubular da Camada Externa da Retina (ORT)

1. O que é a Tubulação Retiniana Externa (ORT)?

Seção intitulada “1. O que é a Tubulação Retiniana Externa (ORT)?”

A Tubulação Retiniana Externa (Outer Retinal Tubulation; ORT) é uma forma de reorganização dos fotorreceptores que ocorre durante o processo degenerativo da camada externa da retina. Os fotorreceptores degenerados se organizam em estruturas circulares a tubulares.

A ORT é mais comumente encontrada na degeneração macular relacionada à idade (DMRI), mas também aparece em várias doenças retinianas degenerativas crônicas, como atrofia geográfica (AG), retinite pigmentosa (RP), doença de Stargardt, coroidermia e estrias angioides.

Na degeneração macular relacionada à idade neovascular, a análise CATT relatou aumento da incidência cumulativa de ORT ao longo do tempo: 17% em 1 ano, 28% em 2 anos, 35% em 3 anos e 41% em 4 anos1). A ORT é tratada como um achado de OCT indicativo de degeneração crônica.

Abaixo estão as principais doenças associadas.

Categoria da doençaDoenças representativas
Doenças degenerativasDegeneração macular neovascular relacionada à idade, atrofia geográfica, doença de Stargardt
Distrofia retinianaRetinite pigmentosa, ausência de coroide
OutrosEstrias angioides
Q Em quais doenças a ORT é observada?
A

A ORT é mais comumente observada na degeneração macular relacionada à idade neovascular. Também aparece em outras doenças que causam degeneração crônica da retina externa, como atrofia geográfica, retinite pigmentosa, doença de Stargardt, coroideremia e estrias angioides.

A ORT em si não apresenta sintomas subjetivos específicos. Sintomas como diminuição da acuidade visual, metamorfopsia e escotoma central decorrentes da doença de base (como degeneração macular neovascular relacionada à idade, atrofia geográfica) são proeminentes. Sabe-se que olhos com ORT têm pior acuidade visual e sensibilidade retiniana em comparação com olhos sem ORT.

A OCT de domínio espectral (SD-OCT) é o principal método de detecção. A OCT en face e a oftalmoscopia de varredura a laser com óptica adaptativa (AOSLO) também fornecem imagens características.

Achados da SD-OCT

Borda hiper-refletiva: Forma uma parede de borda hiper-refletiva nítida dentro da camada nuclear externa (ONL).

Espaço hiporrefletivo: O interior da borda é observado como um espaço com baixa refletividade.

Forma: Redonda a oval, podendo ser única ou múltipla.

OCT En face

Rede ramificada: Na imagem en face, estruturas tubulares mostram um padrão de rede com ramificações e anastomoses.

Compreensão tridimensional: A extensão tridimensional da ORT pode ser avaliada em comparação com imagens tomográficas.

Achados de AOSLO

Visualização do arranjo dos fotorreceptores: O arranjo tubular dos fotorreceptores remanescentes pode ser observado diretamente com alta resolução.

Uso em pesquisa: Atualmente, o uso principal é em estudos clínicos.

Na degeneração macular relacionada à idade neovascular, a presença de ORT foi relatada como um indicador de baixa visão ou doença crônica 1). Além disso, em olhos com GA, aqueles com ORT tendem a ter uma taxa de expansão da GA mais lenta.

Q A ORT afeta a visão?
A

Olhos com ORT têm pior acuidade visual e sensibilidade retiniana do que olhos sem ORT, sendo um indicador de declínio da função visual. Como não é um sinal de atividade exsudativa em si, a necessidade de terapia anti-VEGF é determinada em conjunto com outros achados, como acúmulo de líquido ou hemorragia 1).

A ORT se forma no contexto de degeneração e atrofia das camadas externas da retina. Os seguintes fatores estão associados ao risco de desenvolvimento de ORT.

  • Atrofia Geográfica (GA): Alto risco de formação de ORT sobre o EPR atrófico.
  • Material Hiperrefletivo Subrretiniano (SHRM): A presença de SHRM está associada à ocorrência de ORT.
  • Pontos Hiperrefletivos Minúsculos (HRF): Em olhos com alta densidade de HRF, a progressão da GA é mais rápida e o dano às camadas externas também progride mais facilmente. Na degeneração macular relacionada à idade, densidade de HRF >20/mm² é um fator preditivo de progressão da GA 3).
  • Agrupamentos de HRF: Quando HRF formam agrupamentos de 10 ou mais, foi relatada associação com fibrose e diminuição da acuidade visual 3).

O SD-OCT é a base do diagnóstico. Observa-se um espaço hiporrefletivo circular a oval com bordas hiperrefletivas dentro da ONL. Combinando com a OCT en face, a extensão da rede tubular pode ser compreendida tridimensionalmente.

A ORT precisa ser diferenciada de outros achados intraretinianos de morfologia semelhante. É clinicamente importante evitar tratamento desnecessário devido a identificação incorreta.

AchadosBorda hiper-refletivaLocalizaçãoAtivo
ORTPresenteONL (camada externa)Inativo
CME (edema cistóide)AusenteCamada interna a externaAtivo
Líquido intraretiniano (IRF)AusenteCamada internaAtivo
Líquido subretiniano (SRF)AusenteSubretinianoAtivo
  • Diferenciação do Edema Macular Cistóide (EMC): O edema macular cistóide não possui bordas hiperrefletivas e é um achado associado a inflamação ativa ou exsudação. Confundir ORT com EMC pode levar a tratamento desnecessário.
  • Diferenciação do Líquido Intrarretiniano (LIR): O LIR localiza-se nas camadas internas e é um indicador de atividade da nAMD. A circularidade do LIR é relatada como 0,86, e a frequência de focos hiperrefletivos (FH) difere entre LIR (89%) e pseudocistos degenerativos (29%) 2).
  • Diferenciação do Pseudocisto Degenerativo: É um espaço não exsudativo que não responde à terapia anti-VEGF e está associado a fibrose e atrofia das camadas externas 2). É manejado como lesão não ativa, assim como a ORT.
Q O que acontece se a ORT for confundida com edema macular cistóide?
A

Se confundida com edema macular cistóide, há risco de administração desnecessária de terapia anti-VEGF ou corticosteroides. A ORT é um achado degenerativo não ativo e não é alvo de tratamento. A verificação da presença ou ausência de bordas hiperrefletivas na SD-OCT é a chave para a diferenciação (ver seção “Tratamento Padrão”).

Não há tratamento direto para a ORT em si. A ORT é um indicador de degeneração não ativa e não é alvo de intervenção terapêutica.

A base do manejo é o controle adequado da doença subjacente.

  • Degeneração macular relacionada à idade neovascular: O manejo principal é o controle do exsudato com terapia anti-VEGF. A presença de ORT não é um indicador de atividade e não justifica o número de injeções. A estratégia de tratamento proativo é considerada vantajosa para a manutenção da visão a longo prazo2).
  • Atrofia geográfica (GA): Atualmente, os tratamentos para inibir a progressão são limitados. O acompanhamento é o principal.
  • Casos com coriorretinopatia serosa central (CSC) associada: Na CSC, ORT ativa pode ser observada, e o tratamento é considerado com base na avaliação da atividade da doença.

A ORT se forma como resultado da degeneração da retina externa. Danos e atrofia do EPR levam à perda de adesão dos fotorreceptores (células visuais), e os fotorreceptores remanescentes se dobram para dentro formando uma estrutura tubular. Acredita-se que esse arranjo tubular possa proporcionar uma vantagem de sobrevivência aos fotorreceptores sobre o EPR atrófico.

Pequenos espaços hiporrefletivos aparecem dentro da camada nuclear externa (ONL). A membrana limitante externa (ELM) começa a funcionar como um limite.

A estrutura tubular torna-se nítida e paredes tubulares hiperrefletivas são formadas. As paredes tubulares são compostas pela membrana limitante externa e pelas mitocôndrias do segmento interno dos fotorreceptores. Na OCT en face, observa-se um padrão de rede ramificada.

Os elementos celulares dentro do lúmen diminuem e o espaço hiporrefletivo se expande. A camada nuclear externa circundante também se torna mais fina.

A ORT desaparece ou se transforma em um foco hiperrefletivo semelhante a uma cicatriz. A atrofia do EPR e da membrana de Bruch torna-se grave.

Localização

Nível ONL: Forma-se na camada nuclear externa (camada dos corpos celulares dos núcleos externos).

Delimitação ELM: A membrana limitante externa (ELM) funciona como parede externa do lúmen.

Estrutura

Fotorreceptores radiais: Os fotorreceptores estão dispostos radialmente na parede interna do lúmen.

Componentes da parede tubular: Compostos pela membrana limitante externa (ELM) e mitocôndrias do segmento interno dos fotorreceptores.

Lesão Base

Degeneração do EPR subjacente: Há degeneração e atrofia do EPR diretamente abaixo do lúmen.

Alteração da EZ: Frequentemente acompanhada de alteração ou perda da zona elipsoide (EZ).

Pontos hiper-refletivos (HRF) foram relatados como surgindo antes da alteração da EZ e do encurtamento do segmento externo3), podendo refletir um processo degenerativo das camadas retinianas externas como estágio precursor da ORT.

Q Quais são os quatro estágios de progressão da ORT?
A

No estágio inicial, surgem espaços hipoecogênicos dentro da camada nuclear externa, e no estágio de maturação, estruturas tubulares com paredes hiperecogênicas são estabelecidas. No estágio degenerativo, o lúmen se dilata e a ONL circundante se torna mais fina; no estágio terminal, a estrutura desaparece ou se torna cicatricial. Em cada estágio, a degeneração do EPR e da membrana de Bruch também progride em paralelo.


7. Pesquisas Recentes e Perspectivas Futuras (Relatos em Fase de Pesquisa)

Seção intitulada “7. Pesquisas Recentes e Perspectivas Futuras (Relatos em Fase de Pesquisa)”

A análise CATT por Lee et al. mostrou que a ORT na degeneração macular relacionada à idade neovascular aumenta ao longo do tempo, sendo um indicador de lesão crônica e declínio da função visual 1). No entanto, a resposta ao tratamento não deve ser determinada apenas pela ORT, mas sim interpretada em conjunto com achados de exsudação e atrofia.

Arrigo A e colaboradores utilizaram imageamento multimodal (OCT, OCTA, DART OCTA) para classificar de forma abrangente os achados císticos em olhos com degeneração macular neovascular relacionada à idade, e propuseram critérios de diferenciação entre ORT e pseudocistos degenerativos de morfologia semelhante 2). Essa abordagem é uma área com potencial aplicação em IA de imagens.

Na revisão de escopo de Mat Nor et al., o significado clínico do HRF em doenças oculares, incluindo degeneração macular relacionada à idade, retinopatia diabética e glaucoma, foi organizado. O HRF é observado como um biomarcador de imagem que reflete a progressão da degeneração da retina externa 3). Pesquisas adicionais sobre a relação com ORT estão em andamento.


  1. Lee JY, Folgar FA, Maguire MG, Ying GS, Toth CA, Martin DF, Jaffe GJ; CATT Research Group. Outer retinal tubulation in the Comparison of Age-related Macular Degeneration Treatments Trials (CATT). Ophthalmology. 2014;121(12):2423-2431. doi:10.1016/j.ophtha.2014.06.013.
  2. Arrigo A, et al. Multimodal imaging differentiates intraretinal fluid cysts and degenerative pseudocysts in neovascular age-related macular degeneration. Am J Ophthalmol. 2024.
  3. Mat Nor MN, Green CR, Squirrell D, Acosta ML. Retinal hyperreflective foci are biomarkers of ocular disease: a scoping review with evidence from humans and insights from animal models. J Ophthalmol. 2025;2025:9573587.

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