Palinopsia é um fenômeno visual patológico no qual a imagem persiste ou se repete após a remoção do estímulo visual. A origem do termo vem do grego palin (novamente) + opsia (ver). Diferente da pós-imagem fisiológica, a palinopsia dura mais tempo e é frequentemente mais nítida. Enquanto a pós-imagem fisiológica aparece como cor complementar (pós-imagem negativa) por um curto período, a palinopsia aparece com a mesma cor do estímulo original (pós-imagem positiva), podendo ocorrer imediatamente após o estímulo ou tardiamente.
Historicamente, Critchley (1951) descreveu “paliopsia” e “propagação visual ilusória”, e posteriormente Kölmel classificou em três tipos: palinopsia imediata, palinopsia verdadeira (minutos a horas) e palinopsia alucinatória (dias a semanas). 4)
Epidemiologia dados em larga escala são limitados. Pode ocorrer em até 10% dos pacientes com enxaqueca, sendo mais frequente na enxaqueca com aura.
QQual a diferença entre palinopsia e pós-imagem fisiológica?
A
A pós-imagem fisiológica é uma resposta normal que desaparece imediatamente após a remoção do estímulo e aparece em cor complementar (oposta ao estímulo original). A palinopsia é um fenômeno patológico que dura mais tempo, aparece na mesma cor do estímulo original (pós-imagem positiva) e pode aparecer tardiamente ao estímulo, necessitando de investigação de doença subjacente.
As diferenças dos sintomas do tipo 2 são mostradas abaixo.
Visão Dupla Alucinatória
Duração: Minutos a horas (podendo durar dias a semanas).
Resolução: Alta resolução e nítida.
Padrão de aparecimento: Aparece em qualquer lugar do campo visual. Não é influenciado pelo ambiente (luz ou movimento).
Conteúdo: Imagens ou cenas vistas anteriormente aparecem como alucinações visuais complexas. Frequentemente causam estresse intenso ao paciente. 1)
Visão Repetitiva Ilusória
Duração: Curta (aparece imediatamente após o estímulo).
Resolução: Baixa e pouco nítida.
Padrão de aparecimento: Influenciado pelo contraste de fundo, intensidade do estímulo e iluminação ambiente. 2)
Conteúdo: Distorção de estímulos externos reais. A forma, cor e tamanho da imagem são percebidos como alterados.
Os sintomas que podem surgir associados incluem: fotopsia, metamorfopsia, neve visual, oscilopsia, fenômenos entópticos e poliopia cerebral.
Na poliopia alucinatória associada à hidrocefalia de pressão normal, ocorre recorrência da imagem por 1-3 segundos após a remoção do estímulo, coexistindo com distúrbios de marcha, cognitivos e urinários. 1)
Na poliopia medicamentosa causada pelo inibidor de CDK4/6 ribociclibe, é característica a ocorrência durante o período de uso do medicamento (dias 1-21) e desaparecimento durante o período de pausa (1 semana). 2)
Achados Clínicos (achados confirmados pelo médico no exame)
Exame físico: Geralmente negativo na poliopia ilusória, com contribuição limitada para o diagnóstico.
Defeitos de campo visual: Na poliopia alucinatória, pode haver defeitos de campo visual como hemianopsia homônima. Em um caso de tuberculoma do lobo occipital, foram confirmados escotoma central superior esquerdo homônimo, defeito pupilar aferente relativo no olho esquerdo e hipoplasia segmentar do disco óptico esquerdo. 3)
Persistência visual: No distúrbio do lobo parieto-occipital direito, pode ocorrer persistência visual (visual persistence). No distúrbio do lobo occipital, pode não haver outros sintomas neurológicos além da hemianopsia homônima.
Se induzido por medicamentos: Acuidade visual, lâmpada de fenda, pressão intraocular, fundo de olho, OCT e exame de campo visual são todos normais. 2)
As causas da visão dupla alucinatória incluem lesões do córtex occipitoparietal (tumor, infarto, hemorragia, malformação arteriovenosa, abscesso, tuberculoma), crises epilépticas (relacionadas a distúrbios metabólicos como hiperglicemia, deficiência de carnitina, canalopatias, doença de Creutzfeldt-Jakob), hidrocefalia de pressão normal (mecanismo presumido de compressão da via visual posterior por dilatação ventricular)1) e doenças desmielinizantes do SNC.
As causas da diplopia ilusória incluem enxaqueca (alterações nos receptores de neurotransmissores), transtorno perceptivo persistente por alucinógenos (HPPD), traumatismo craniano, medicamentos (trazodona, nefazodona, mirtazapina, topiramato, clomifeno, anticoncepcionais orais, risperidona), inibidor de CDK4/6 ribociclibe 2) e idiopática.
Fatores de risco incluem histórico de enxaqueca com aura e uso de medicamentos que atuam no sistema serotoninérgico.
QQuais medicamentos podem causar visão dupla?
A
Medicamentos causadores de visão dupla ilusória incluem: trazodona, nefazodona, mirtazapina (antidepressivos), topiramato (antiepiléptico), risperidona (antipsicótico), clomifeno e anticoncepcionais orais (hormonais). Recentemente, dois casos de visão dupla devido ao inibidor de CDK4/6 ribociclibe foram relatados 2), sendo importante verificar os medicamentos em uso para o diagnóstico.
O diagnóstico de visão repetida é feito clinicamente. Não existem testes diagnósticos específicos. A base é uma anamnese oftalmológica e neurológica completa e exame físico, determinando se é alucinatória ou ilusória por meio da entrevista (verificar duração, dependência ambiental e resolução da imagem).
Neuroimagem (RM): Obrigatória na visão repetida alucinatória, para pesquisar lesões estruturais na via visual posterior.
Caso de tuberculoma: RM com contraste mostrou lesão nodular subcortical de 12×10×14 mm no lobo occipital direito. 3)
Caso de NPH: RM confirmou dilatação ventricular e fluxo transependimário de LCR. 1)
Na visão repetida induzida por medicamentos, a RM cerebral é normal. 2)
O diagnóstico é feito por RM/TC cerebral. Correlacionar o campo visual e sintomas neurológicos associados com a neuroimagem é útil para estimativa precisa da localização da lesão.
Campimetria automatizada: Para verificar a presença de defeitos no campo visual. No caso de tuberculoma, observou-se escotoma central superior homônimo esquerdo. 3)
Eletroencefalografia (EEG): Para investigar associação com crises epilépticas. No caso de tuberculoma, confirmou-se descarga epileptiforme focal durante alucinações visuais. 3) Na palinopsia ilusória sem anormalidade estrutural, frequentemente não se observa atividade epileptiforme.
Tomografia de coerência óptica (OCT): Na palinopsia induzida por medicamentos, a camada de fibras nervosas da retina (CFNR), a mácula e a camada de células ganglionares estavam todas normais. 2)
Diagnóstico diferencial inclui:
Imagem residual fisiológica: Resposta benigna e normal. Duração curta após estímulo direto, aparece na cor complementar.
Doenças psiquiátricas (esquizofrenia, depressão psicótica): Diferenciadas pela presença ou ausência de insight, construção delirante e presença de alucinações auditivas.
Toxinas e distúrbios metabólicos: como hiperglicemia.
Lesões estruturais do cérebro: confirmadas por neuroimagem.
QA ressonância magnética é sempre necessária quando diagnosticado com visão dupla alucinatória?
A
Na visão dupla alucinatória, é essencial excluir lesões estruturais da via visual posterior (como tumores, infartos, tuberculomas) e a ressonância magnética é fortemente recomendada. Já na visão dupla ilusória, a decisão é baseada no julgamento clínico. Em ambos os casos, é importante diferenciar de doenças psiquiátricas, e a presença de insight e alucinações auditivas deve ser verificada na anamnese.
Lesões orgânicas: O tratamento é realizado de acordo com o tipo de lesão. Em caso de tuberculoma do lobo occipital, o tratamento antituberculose padrão (isoniazida, rifampicina, pirazinamida, etambutol) resultou no desaparecimento da visão repetitiva e alucinações visuais após 18 meses, e melhora da cefaleia. A AVCC foi 20/20 no olho direito e 20/30 no olho esquerdo, a RM mostrou redução da lesão, mas o defeito de campo visual persistiu. 3)
Hidrocefalia de pressão normal (HPN): punção lombar maciça (remoção de 32 ml de LCR, pressão de abertura normal de 120 mmH2O) fez a visão dupla repetitiva desaparecer por cerca de 24 horas. Após 6 meses da colocação de derivação ventrículo-peritoneal, houve melhora sustentada da visão dupla, distúrbios da marcha e sintomas urinários, e o MoCA melhorou de 20 para 26/30. 1)
Medicamentos que reduzem a excitabilidade neuronal são uma opção. No entanto, as evidências são limitadas a relatos de casos, e mais pesquisas são necessárias.
Clonidina (Clonidine)
Gabapentina (Gabapentin)
Acetazolamida (Acetazolamide)
Magnésio
Bloqueadores dos canais de cálcio
Enxaqueca: Realizar o tratamento padrão para enxaqueca.
Óculos escuros e lentes coloridas: Podem ser eficazes para aliviar os sintomas.
Causa medicamentosa: Suspensão ou redução da dose do medicamento causador. Em casos com ribociclibe, a redução da dose de 600 mg para 400 mg resultou no desaparecimento ou melhora leve da visão dupla, permitindo a continuação do tratamento. 2)
QQual é a eficácia da terapia medicamentosa para visão dupla ilusória?
A
Clonidina, gabapentina, acetazolamida, magnésio e bloqueadores dos canais de cálcio são usados, mas a eficácia varia entre os relatos, e as evidências estabelecidas são limitadas. Se a causa for medicamentosa, a suspensão ou redução da dose do medicamento causador pode trazer melhora. 2)
Fisiopatologia da Diplopia Alucinatória: Decorrente de disfunção da memória visual. Os mecanismos incluem desaferentação cortical, estimulação cortical focal e descargas epilépticas. A hiperexcitabilidade cortical focal ou hiperatividade da via visual posterior é considerada a via final comum. Lesões parieto-occipitais direitas tendem a causar perseveração visual.
Hipótese da HPN: O mecanismo presumido é a compressão da via visual posterior devido à dilatação ventricular. Apoiada pela melhora da diplopia após punção lombar volumosa ou derivação ventrículo-peritoneal. 1)
Mecanismo do Tuberculoma Occipital: EEG confirmou descargas epilépticas focais durante alucinações visuais. O mecanismo presumido é a estimulação cortical por lesão orgânica no lobo occipital. 3)
Fisiopatologia da Diplopia Ilusória: Decorrente de disfunção da percepção visual, com alterações na excitabilidade neuronal na via visual como mecanismo central.
Suspeita-se do envolvimento do receptor 5-HT2. Medicamentos que causam visão repetitiva (trazodona, nefazodona, risperidona, mirtazapina) são antagonistas do receptor 5-HT2, enquanto o LSD é um agonista 5-HT2A/5-HT2C, e acredita-se que a excitotoxicidade do receptor 5-HT2 esteja envolvida.
Como mecanismo presumido para visão repetitiva induzida por inibidores de CDK4/6, foi relatado que os inibidores de CDK4/6 não são específicos para células e podem interferir no ciclo celular de células normais do tecido cerebral, e que o estrogênio interage com sistemas colinérgicos e serotoninérgicos, podendo a terapia hormonal interferir nos processos do SNC relacionados à visão. 2)
Na degeneração lobar frontotemporal (DLFT), com a propagação ilusória visual, foram propostos disfunção do sistema de coordenação no lobo parietal, anormalidades nas vias de feedback do processamento de luz e movimento, e hiperatividade compensatória do hemisfério direito (diasquise) acompanhando a diminuição da função do hemisfério esquerdo. 4)
7. Pesquisas Recentes e Perspectivas Futuras (Relatos em Fase de Pesquisa)
Martos et al. (2024) relataram dois casos de visão repetitiva durante terapia com ribociclibe mais letrozol como tratamento de primeira linha para câncer de mama metastático. Ambos apareceram de forma dependente de tempo e dose, desapareceram durante o período de pausa do medicamento (1 semana) e foram controlados com redução da dose para 400 mg. Isso sugere que essa complicação pode se tornar não rara com o uso generalizado de ribociclibe. 2)
Ferguson & Snavely (2024) relataram o primeiro caso na literatura de visão repetitiva associada à hidrocefalia de pressão normal (HPN). O mecanismo presumido é a compressão da via visual posterior devido à dilatação ventricular, e a derivação ventrículo-peritoneal (DVP) resultou em melhora sustentada da visão repetitiva, distúrbio da marcha e comprometimento cognitivo após 6 meses. 1)
Hoffmann (2021) relatou disseminação ilusória visual excessiva (hypervisual illusory spread) em afasia não fluente com DFT variante comportamental, e propôs como uma nova síndrome dependente do ambiente visual pertencente ao espectro da visão repetitiva. Disfunção do lobo parietal e mecanismo de diasquise são sugeridos. 4)
A visão repetitiva também é posicionada como um dos sintomas visuais adicionais da Síndrome da Neve Visual (Visual Snow Syndrome: VSS), mas a elucidação da patologia e o tratamento da própria VSS ainda não estão estabelecidos atualmente.
Ferguson PB, Snavely K. Palinopsia in the Setting of Normal Pressure Hydrocephalus. Cureus. 2024;16(2):e55239.
Martos T, Saint-Gerons M, Masfarre L, et al. Palinopsia associated with the CDK4/6 inhibitor ribociclib during the first-line treatment of metastatic breast cancer: two case reports. Front Oncol. 2024;14:1430341.
Ortiz A, Cárdenas PL, Arana R, Gomez LM, Peralta M. Neuro-Ophthalmological Findings as First Manifestation of Occipital Tuberculoma. Neuro-Ophthalmology. 2021;45(2):120-125.
Hoffmann M. A New Environmental Dependency Syndrome Occurring With Frontotemporal Lobe Degeneration: Hypervisual Illusory Spread Syndrome. Cureus. 2021;13(9):e18119.
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