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Catarata e segmento anterior

Varizes da íris

Variz de íris (iris varix) é uma lesão vascular benigna caracterizada por dilatação anormal e tortuosidade dos vasos da íris. Aparece como um vaso tortuoso solitário no segmento anterior, e não há relatos de malignização.

O mecanismo de desenvolvimento é amplamente desconhecido. Acredita-se que fatores congênitos e alterações locais do fluxo sanguíneo estejam envolvidos, mas não foi estabelecida uma relação clara com uma doença causal.

É mais comum em adultos, com relatos de casos em crianças. Não há relação clara com doenças do fundo de olho ou doenças sistêmicas, sendo frequentemente descoberto como achado incidental.

Q O que é varizes da íris?
A

É uma lesão benigna caracterizada por dilatação e tortuosidade anormais dos vasos da íris. Na maioria dos casos é assintomática e descoberta incidentalmente, com curso estável a longo prazo. Não há relatos de malignização, e geralmente é realizada observação.

A maioria dos casos é assintomática. Raramente o paciente percebe, sendo frequentemente descoberto incidentalmente durante exames de rotina ou investigação de outras doenças.

Se houver hifema (sangue na câmara anterior), o paciente pode queixar-se de diminuição da visão, visão turva e dor ocular.

O exame com lâmpada de fenda revela vasos sanguíneos dilatados e tortuosos na superfície da íris.

Características de distribuição:

  • Unilateral: 92,3%
  • Inferotemporal: 75%
  • Casos bilaterais também existem em pequeno número

Classificação por forma:

Tipo radial

Frequência: Mais comum (57,1%)

Aparência: Vasos sanguíneos correm ao longo da direção radial da íris

Característica: Vasos sanguíneos tortuosos que se estendem do corpo ciliar em direção à borda da pupila

Tipo circular

Frequência: 21,4%

Aparência: Vasos sanguíneos dispostos concentricamente na íris

Característica: Vasos tortuosos ao longo do anel maior ou menor da íris

Tipo misto

Frequência: Casos residuais

Aparência: Possui elementos radiais e circulares

Característica: Mostra um padrão mais complexo de trajeto vascular

Pode ser acompanhado de hemorragia na câmara anterior. O sangramento geralmente é leve e desaparece com tratamento conservador.

Q Onde as varizes da íris ocorrem com mais frequência?
A

Geralmente unilateral (92,3%) e ocorre com mais frequência na região inferotemporal (75%). A forma mais comum é o trajeto radial (57,1%), seguido pelo tipo circular (21,4%).

A causa da variz da íris é desconhecida. Hipóteses incluem malformação vascular congênita, aumento da pressão venosa local e fragilidade da parede vascular, mas nenhuma é confirmada.

Não há associação clara relatada com doenças sistêmicas (como hipertensão, diabetes, doenças do tecido conjuntivo). Existem casos de comorbidade com doenças oculares locais (como glaucoma, uveíte), mas a relação causal é desconhecida.

Não há relatos de casos com histórico familiar, e nenhuma associação com doenças hereditárias foi demonstrada até o momento.

ExameAchado/Objetivo
Exame com Lâmpada de FendaConfirmação de vasos dilatados e tortuosos
Angiografia Fluoresceínica (AF)Diferenciação de rubeose
OCT de segmento anteriorAvaliação da profundidade e extensão dos vasos
Microscopia ultrassônica (UBM)Avaliação do corpo ciliar e câmara posterior

Importância da Angiografia Fluoresceínica (AF):

Na AF, as varizes da íris mostram hiperfluorescência, mas ao contrário da rubeose (neovascularização da íris associada à retinopatia diabética ou oclusão da veia retiniana), não há extravasamento evidente do contraste. Esse achado desempenha um papel importante no diagnóstico diferencial.

Diagnóstico diferencial:

DoençaPonto de diferenciação
RubeoseExtravasamento acentuado de contraste na AF, associado a doença sistêmica
Hemangioma da írisLesão elevada, bordas bem definidas
Melanoma de írisElevação pigmentada, tendência a crescimento, estrutura interna anormal ao ultrassom
Telangiectasia de írisDilatação de microvasos, frequentemente associada a aumento da pressão intraocular
Membrana pupilar persistenteResquício embrionário, em jovens, conexão com a superfície anterior do cristalino

A maioria das varizes de íris assintomáticas requer apenas observação. Estudos de longo prazo mostram que 96,4% dos casos permanecem estáveis ao longo de 10 anos.

Indicadores de Observação:

Manejo da hemorragia da câmara anterior:

Na presença de hemorragia da câmara anterior, o tratamento conservador é a base. Repouso, elevação da cabeça e uso de midriáticos para prevenir complicações (sinéquia anterior periférica, bloqueio pupilar). Se houver aumento da pressão intraocular, usar medicamentos hipotensores.

Na maioria dos casos, a resolução espontânea é esperada, sendo rara a necessidade de intervenção cirúrgica. Em casos de sangramento recorrente ou comprometimento visual significativo, considera-se excisão ou fotocoagulação.

Q A variz de íris precisa de tratamento?
A

Na maioria dos casos, o tratamento não é necessário, apenas acompanhamento. 96,4% permanecem estáveis por 10 anos e não há relatos de malignização. No entanto, se ocorrerem complicações como hemorragia da câmara anterior, é realizado tratamento conservador; se recorrente, considera-se excisão.

O mecanismo da variz de íris é atualmente desconhecido. As hipóteses propostas são apresentadas a seguir.

Hipótese da fragilidade da parede vascular: A fraqueza congênita do músculo liso e do tecido conjuntivo da parede vascular da íris leva à incapacidade de resistir à pressão venosa, resultando em dilatação e tortuosidade.

Hipótese do aumento da pressão venosa local: Devido a distúrbios locais do fluxo sanguíneo ou obstrução da via de saída venosa, a pressão dentro da veia da íris aumenta, causando dilatação. A relação com a pressão intraocular foi estudada, mas não há relação clara.

Teoria da anomalia do desenvolvimento: Pensamento de que a lesão é um resquício de uma anomalia local no desenvolvimento vascular embrionário. Às vezes é usada para explicar casos de início precoce ou associados a doenças oculares congênitas.

Nenhuma das teorias tem confirmação definitiva, e múltiplos mecanismos podem estar envolvidos. A elucidação é aguardada por meio de pesquisas moleculares e genéticas futuras.

A variz de íris é uma doença relativamente rara, e estudos prospectivos em larga escala são limitados. O conhecimento baseia-se principalmente em estudos de acúmulo de casos e séries de casos.

Prognóstico de longo prazo: Estudos retrospectivos existentes mostram um prognóstico favorável com taxa de estabilidade de 96,4% em 10 anos. Espera-se a identificação de fatores preditivos de prognóstico por meio de estudos de acompanhamento mais longos e maiores.

Avaliação não invasiva com FA e OCT de segmento anterior: Com o avanço da angiografia por OCT (OCTA) de segmento anterior, a avaliação detalhada dos vasos da íris tornou-se possível de forma minimamente invasiva em comparação com a FA convencional. Espera-se melhora na precisão diagnóstica no futuro.

Esclarecimento da Etiologia: O avanço da pesquisa etiológica usando análise genética e técnicas de biologia molecular pode levar a uma melhor compreensão dos mecanismos moleculares envolvidos na formação de varizes.

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