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Catarata e segmento anterior

Alça Nervosa de Axenfeld

A Alça Nervosa de Axenfeld (Axenfeld Nerve Loop) é uma variação anatômica na qual os nervos ciliares posteriores longos (long posterior ciliary nerves) formam uma anastomose em alça dentro da esclera. Foi relatada pela primeira vez em 1902 por Axenfeld.

Também chamada de “alças nervosas intraesclerais (intrascleral nerve loops)”. Não é uma doença com significado patológico, mas sim um marco anatômico natural.

É um achado incidental relativamente comum no exame com lâmpada de fenda, e é importante compreender suas características com precisão devido ao risco de ser confundida com um corpo estranho intraescleral.

Q A Alça Nervosa de Axenfeld é um achado raro?
A

É um achado incidental no exame com lâmpada de fenda e não é necessariamente raro. No entanto, como se assemelha externamente a corpos estranhos intraesclerais, nevos, melanomas malignos e cistos, a identificação precisa é clinicamente importante.

Geralmente, não há sintomas subjetivos. É frequentemente assintomático e descoberto incidentalmente durante exame oftalmológico.

No entanto, ao manipular essa alça ou a conjuntiva que a cobre durante a investigação de trauma, o paciente pode sentir dor. Acredita-se que isso se deva à presença direta de tecido nervoso.

Achados macroscópicos

Coloração: Observada como um nódulo acinzentado a branco.

Pigmentação: Especialmente em pessoas com íris escura, pode haver pigmento ao redor da alça.

Localização: Localiza-se sob a conjuntiva bulbar. Frequentemente encontrado a 3-4 mm do limbo.

Características Morfológicas

Forma: Observada como uma elevação nodular pequena.

Limites: Possui limites relativamente nítidos.

Mobilidade: Pode ser ligeiramente móvel devido à sua relação com a conjuntiva.

Histopatologicamente, são observados achados consistentes com nervo periférico. A estrutura assume a forma de tecido nervoso dentro do canal emissário que perfura a esclera.

Q Deve-se suspeitar de malignidade se houver pigmentação associada?
A

Em pessoas com pigmentação escura da íris, pode haver pigmentação ao redor, mas isso por si só não é um achado sugestivo de malignidade. No entanto, a diferenciação de nevo e melanoma maligno é importante, sendo necessária a observação da forma e evolução. Consulte a seção “Diagnóstico e Métodos de Exame” para detalhes.

A alça nervosa de Axenfeld é uma variação anatômica normal e não há causas ou fatores de risco específicos.

Os nervos ciliares longos posteriores (long posterior ciliary nerves) penetram a esclera (sclera) próximo ao nervo óptico (optic nerve), percorrendo o interior da esclera e o espaço supracoroideano (suprachoroidal space). Seguem esse trajeto até se ramificarem ao nível do corpo ciliar (ciliary body).

O loop nervoso é um local de anastomose onde esse nervo ciliar longo muda de direção dentro da esclera e então se inverte de volta em direção ao corpo ciliar. Observa-se um canal emissário (emissary canal) que penetra a esclera e uma estrutura localizada sobre a pars plana.

O diagnóstico baseia-se no exame visual com lâmpada de fenda (slit lamp examination). A característica é a observação de nódulos acinzentados a brancos sob a conjuntiva bulbar dentro de 3-4 mm do limbo corneano.

Clinicamente, é importante diferenciar de corpo estranho intraescleral, nevo, melanoma maligno e cisto.

É necessário diferenciar das seguintes doenças:

DoençaPrincipais pontos de diferenciação
Corpo estranho escleralHistória de trauma / opacidade do corpo estranho
Nevo (Nevi)Homogeneidade do pigmento / formato da borda
Melanoma malignoAumento / pigmento irregular / elevação
Cistos (Cysts)Translúcido, conteúdo líquido

Em casos suspeitos, é importante confirmar as alterações morfológicas por meio de acompanhamento. Se houver aumento, mudança de cor ou bordas irregulares, é necessária investigação detalhada.

O exame histopatológico mostra achados consistentes com nervo periférico, sendo útil para o diagnóstico definitivo. Fibras nervosas e componentes de mielina são confirmados.

Q É possível fazer o diagnóstico definitivo apenas com o exame de lâmpada de fenda?
A

Se os achados forem típicos (nódulos acinzentados pequenos a 3-4 mm do limbo corneano), o diagnóstico clínico é possível. Se não for possível excluir malignidade ou corpo estranho, o exame histopatológico é útil para o diagnóstico definitivo.

A alça nervosa de Axenfeld é uma variação anatômica normal e não requer tratamento.

Quando descoberta, o acompanhamento é a conduta básica. Ao explicar ao paciente, é importante informar que essa variação é um achado anatômico benigno que não requer tratamento, para evitar ansiedade desnecessária.

6. Fisiopatologia e Mecanismo Detalhado de Ocorrência

Seção intitulada “6. Fisiopatologia e Mecanismo Detalhado de Ocorrência”

O nervo ciliar longo posterior entra na esclera próximo ao nervo óptico, percorrendo o interior da esclera em direção ao corpo ciliar. Durante seu trajeto, o nervo pode formar uma estrutura em alça, onde muda de direção para anterior através da esclera e sai novamente para fora da esclera. Esta é a base anatômica da alça nervosa de Axenfeld.

Esta alça está localizada dentro de um canal emissário que perfura a esclera, situando-se acima da pars plana do corpo ciliar. O tamanho e a posição da alça variam conforme o caso devido a diferenças individuais no trajeto do nervo.

Existem múltiplos relatos de casos de tumores anteriores da bainha nervosa originados da alça nervosa intraescleral. Chang e Glasgow (2009) relataram evidências de que o tumor da bainha nervosa escleral anterior se origina da alça nervosa de Axenfeld. Isso sugere que este local, que contém tecido da bainha nervosa, pode raramente ser um ponto de partida para a tumorigênese.

  1. Axenfeld UMT. Ueber intrasklerale Nervenschleifen. Ber Dtsch Ophthalmol Ges. 1902;30:134-137.
  2. Reese AB. Intrascleral Nerve Loops. Transactions of the American Ophthalmological Society. 1931;29:148-53. PMID:16692881; PMCID:PMC1316795.
  3. Chang BM, Glasgow BJ. Evidence that anterior episcleral nerve sheath tumors arise from the Axenfeld nerve loop. Arch Ophthalmol. 2009;127(8):1060-1062. doi:10.1001/archophthalmol.2009.193. PMID:19667350.

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